Investimentos de R$ 9 bilhões em saneamento incluem PPP do esgoto e dessalinização
São mais de R$ 9 bilhões em obras previstas para o Estado com o intuito de garantir água ao crescimento das cidades e da indústria
Mais empregos, negócios, reforço na segurança hídrica e melhora da saúde pública. Esses são alguns dos resultados esperados do ciclo de investimentos em saneamento básico que está em andamento no Espírito Santo e que, somado, supera R$ 9 bilhões.
Os recursos serão aplicados na ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, aumento da oferta de água, produção de água de reuso para a indústria, construção de barragens e implantação da maior usina de dessalinização do País — para tornar potável a água do mar.
O maior investimento é a Parceria Público-Privada (PPP) destinada à expansão do esgotamento sanitário em 43 municípios capixabas. O contrato prevê cerca de R$ 7 bilhões por 25 anos e deverá beneficiar 900 mil moradores.
Além de ampliar a cobertura do serviço, a iniciativa consolida o Estado como referência na utilização de PPPs para expandir a infraestrutura de saneamento, segundo a subsecretária de Parcerias e Polos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), Juliana Faria.
Ela disse que o saneamento é um dos pilares para o desenvolvimento do Estado: os investimentos reduzem doenças, melhoram a qualidade de vida, preservam o meio ambiente e criam condições para atrair empresas e estimular a economia. “Mais do que obras de infraestrutura, representa um investimento permanente nas pessoas e no futuro do Estado”, afirmou.
Um dos destaques é a construção, em Guarapari, da maior usina brasileira para transformar água do mar em água potável. Com investimento de R$ 1 bilhão, a unidade terá capacidade para produzir 1.200 litros de água por segundo. Ela será construída na Rodovia do Sol, próxima ao Parque Estadual Paulo César Vinha.
Outro destaque é a implantação de uma Estação Produtora de Água de Reúso (Epar), que transformará esgoto tratado em água de alta qualidade para abastecer grandes consumidores industriais. O investimento inicial supera R$ 250 milhões e deverá ampliar a segurança hídrica da Grande Vitória, liberando mais água dos mananciais para o consumo da população.
Para o advogado da Cesan e especialista em Direito Público e Infraestrutura, Marco Túlio Ribeiro Fialho, saneamento é tratado como infraestrutura econômica estratégica. “Saneamento é capital produtivo. Infraestrutura econômica estratégica como rodovias e portos.”
Leilão da dessalinizadora previsto para o final do ano
A Cesan informou que tem como expectativa que o leilão da usina de dessalinização que será instalada em Guarapari ocorra até o final do ano, na B3.
Segundo a Cesan, o projeto está prestes a entrar em fase de consulta pública e, posteriormente, seguirá para análise dos órgãos de controle e jurídicos competentes, como a Procuradoria-Geral do Espírito Santo e o Tribunal de Contas. Após essas etapas, será publicado o edital para a realização do leilão.
O investimento previsto é de cerca de R$ 1 bilhão, e a concessão está prevista para ficar na faixa dos R$ 7.5 bilhões. A usina de dessalinização de Guarapari está prevista para ser a maior do Brasil e uma das maiores da América Latina, sendo capaz de converter água do mar em água potável e com capacidade de produção de 1.200 litros por segundo.
Um dos grupos interessados no projeto é o Grupo Cox, conglomerado de capital espanhol com atuação nas áreas de energia, grandes obras e desenvolvimento e gestão de recursos hídricos.
Executivos da companhia, que tem grande histórico de investimento na América Latina (principalmente Chile, México e Brasil), estiveram no Espírito Santo em março deste ano para conhecer melhor o projeto, conversaram com executivos da companhia de saneamento do Estado e deixaram claro o interesse no projeto.
“Estamos muito interessados no projeto da dessalinizadora do Espírito Santo. Conhecemos bem o Brasil, estamos aqui há 35 anos, somos donos da antiga Abengoa, empresa com atuação em várias áreas, inclusive dessalinização. Temos total interesse na obra, operação e manutenção", disse Pablo Quevedo, diretor da Cox.
Os investimentos
Dessalinização
Água do mar
Além dos projetos de saneamento básico, o Espírito Santo terá uma usina de dessalinização de água do mar em Guarapari, que será a maior do País.
A planta da usina será instalada às margens da Rodovia do Sol e terá capacidade para transformar 1.200 litros de água do mar em água potável por segundo, num investimento de R$ 1 bilhão pela Cesan.
A dessalinização responde a desafio estrutural: garantir abastecimento de água potável de qualidade em região litorânea em crescimento.
Guarapari enfrenta pressão de demanda por água potável devido ao turismo e desenvolvimento imobiliário.
A usina resolverá gargalo histórico e permitirá expansão urbana sem comprometer recursos hídricos.
O que é dessalinização?
É a extração de sal da água do mar para produzir água potável. No caso da planta que será instalada em Guarapari, o processo utilizado será a osmose reversa, processo mais utilizado nesse tipo de planta e que consome menos energia do que as demais.
Como Funciona
- Captação e Pré-tratamento: A água do mar é captada a centenas de metros da costa. Grades e filtros iniciais bloqueiam impurezas maiores e a vida marinha. Em seguida, a água passa por tanques de areia e carvão, onde são adicionados produtos químicos que ajudam a agrupar e remover a sujeira em suspensão.
- Remoção do sal: A água limpa é submetida a altíssimas pressões e forçada a passar por membranas semipermeáveis. Essas membranas têm poros minúsculos que deixam passar apenas as moléculas de água, retendo completamente os sais e outras impurezas.
- Pós-tratamento: Como a água sai da osmose reversa pura demais (e sem os minerais necessários para a saúde humana), ela passa por uma fase de correção de pH e adição de cálcio e magnésio. Por fim, recebe cloro para garantir sua potabilidade antes de ser enviada para a rede de distribuição.
- Devolução da Salmoura: O sal retido no processo (salmoura) é diluído e devolvido ao mar de forma controlada, evitando qualquer impacto ambiental
Barragem dos imigrantes
- Localizada entre Viana e Domingos Martins, com acesso pelo km 30 da BR-262, a obra consiste na construção de um barramento, que desvia o fluxo de água do Rio Jucu para fazer o alagamento da área e formar uma represa.
- A barragem teve a construção iniciada em 2024 e tem previsão de ser concluída em novembro de 2027, com início da operação em dezembro do mesmo ano.
- A estrutura terá 53 metros de altura, com vertedouro de 132 metros. Ela formará um lago com área de 109 hectares.
- Da rodovia será possível observar, pelo lado direito de quem está subindo (sentido Domingos Martins), o lago que se formará com a barragem. O investimento é de R$ 316 milhões.
- O projeto é destinado a garantir o abastecimento de água na região metropolitana, beneficiando mais de 1,2 milhão de pessoas atendidas pelo Rio Jucu.
- A barragem terá capacidade para armazenar 23 bilhões de litros de água, o equivalente a uma reserva de até quatro meses para a população diretamente beneficiada.
- Hoje, o Rio Jucu não tem qualquer tipo de reservatório de água, por isso em épocas de escassez hídrica severa há risco de desabastecimento.
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