Viajar sem culpa: equilíbrio também faz parte da experiência
Saúde e prazer podem caminhar juntos nas viagens; o segredo está no equilíbrio e nas escolhas conscientes
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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O ano de 2026 está recheado de feriados, e muita gente aproveita estes momentos para planejar viagens, pegar estrada, descansar e aproveitar momentos fora da rotina. E junto com as malas, existe uma frase que costuma aparecer antes mesmo do embarque: “depois eu compenso”. Como se aproveitar uma viagem e cuidar da saúde fossem coisas opostas. E talvez esse seja um dos maiores erros quando falamos sobre alimentação durante períodos de lazer.
Viajar não deveria significar abandono. Nem da saúde, nem do equilíbrio, nem de tudo aquilo que você construiu até aqui.
Ao mesmo tempo, também não faz sentido viver a viagem em modo restrição, contando calorias ou deixando de experimentar sabores e experiências por medo da comida.
Afinal, viajar também é cultura, memória afetiva e prazer. O segredo está justamente no equilíbrio. Conhecer a culinária local faz parte da experiência.
Experimentar novos pratos, sobremesas e restaurantes não precisa vir acompanhado de culpa. O problema não é uma refeição diferente. O problema é o pensamento do “já que comecei, agora vou exagerar em tudo”.
Uma escolha fora da rotina não anula meses de cuidado. E talvez seja exatamente isso que muitas pessoas precisam entender: saúde não se perde em um final de semana, assim como também não se constrói em apenas um dia.
Durante viagens, pequenas estratégias já fazem muita diferença. Manter uma base alimentar minimamente organizada ajuda o corpo a responder melhor, inclusive em relação à disposição, digestão e energia para aproveitar os dias. Sempre que possível, vale priorizar refeições com proteínas, vegetais e carboidratos de melhor qualidade.
Incluir frutas ao longo do dia e evitar longos períodos em jejum também ajuda a prevenir exageros posteriores.
Outro ponto importante é a hidratação. Mudanças de clima, alimentação diferente, caminhadas, praia, piscina e até viagens de avião aumentam o risco de desidratação.
E muitas vezes o corpo dá sinais disso através de dor de cabeça, cansaço, inchaço e até aumento da fome.
O consumo de álcool também costuma aumentar durante viagens e momentos de lazer. E aqui não se trata de proibição, mas de consciência.
O excesso frequente pode impactar sono, intestino, retenção de líquidos, disposição e até favorecer desconfortos gastrointestinais. Inclusive, muitas pessoas voltam das férias dizendo que “engordaram”, quando na verdade boa parte do desconforto está relacionada a retenção, excesso de sódio, álcool, baixa ingestão de água e desorganização da rotina.
E existe um detalhe importante: o corpo sente não apenas o que você come, mas também como você vive.
Dormir mal, reduzir completamente o movimento e viver em exageros constantes costuma gerar mais indisposição do que prazer.
Por isso, manter caminhadas, passeios ao ar livre e algum nível de movimento durante a viagem faz diferença não apenas para o metabolismo, mas para o bem-estar físico e mental.
Viajar também pode ser uma oportunidade de desacelerar, respirar e se reconectar consigo mesmo.
Talvez o maior equilíbrio esteja justamente em entender que você não precisa escolher entre aproveitar a viagem ou cuidar da sua saúde. É possível fazer os dois.
A alimentação saudável não deve aprisionar ninguém. Ela precisa acompanhar a vida real. Por isso, aproveite a viagem, experimente novos sabores, viva momentos especiais e crie memórias. Mas faça isso com consciência, respeitando seu corpo e seus sinais.
A consistência não está na perfeição. Está na capacidade de continuar fazendo boas escolhas, mesmo fora da rotina.
E talvez seja exatamente isso que transforma saúde em algo sustentável: aprender a cuidar de si sem deixar de viver.
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.