Falsa advogada investigada por repassar informações para detentos é presa no ES
Segundo investigações, mulher fraudou documento para obter carteira da OAB
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Uma mulher de 55 anos foi presa preventivamente nessa quarta-feira (29) por suspeita de atuar irregularmente como advogada no Espírito Santo. De acordo com as investigações, a mulher teria fraudado um documento para obter uma carteira funcional de advogada e, durante atendimentos no sistema prisional capixaba, atuava como intermediária na comunicação entre detentos e o mundo externo.
Além da prisão, realizada durante a Operação Falsária 2, a decisão judicial expedida pela 2ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes também determina a suspensão do exercício da advocacia pela investigada.
Investigações
A falsa advogada passou a ser investigada em agosto do ano passado, após o Ministério Público do Estado apresentar uma Notícia Fato para apurar a legalidade da inscrição da suspeita na Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional da Paraíba (OAB/PB).
Durante as diligências, foi constatado que a mulher forjou um certificado de aprovação no Exame da OAB datado de 1992, cerca de 23 anos antes de sua própria graduação em Direito, ocorrida em 2015. Com o documento fraudado, ela solicitou remotamente à OAB/PB, em outubro de 2017, a emissão de segunda via do certificado, obtendo a inscrição e carteira funcional de advogada de forma irregular.
A fraude documental foi confirmada pela OAB/PB. Ainda durante as investigações, consultas à Fundação Getúlio Vargas não localizaram nenhuma aprovação da investigada em exames realizados entre 2015 e 2017.
Atuação em presídios capixabas
Com a carteira funcional falsa, a mulher realizou 218 atendimentos a detentos do sistema penitenciário capixaba — a maioria deles em presídios de segurança máxima. Nestes locais, segundo o inquérito, a falsa advogada atuava como intermediária de comunicações entre presos e o mundo externo, além de protocolar procurações em processos judiciais.
Entre os internos atendidos pela falsa advogada estão lideranças das facções criminosas Comando Vermelho, Primeiro Comando de Vitória (PCV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Associação Família Capixaba (AFC), incluindo o preso conhecido como "Frajola", apontado como líder do PCV no Estado.
Mais informações sobre as investigações e a prisão da suspeita serão repassadas em uma coletiva de imprensa da Polícia Civil e da Polícia Penal na tarde desta quinta-feira (30).
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