"Miau-Miau": como é a nova “droga russa” que pode estar sendo vendida no ES
Polícia apura se material branco e com odor forte que foi abandonado por suspeito em fuga em Cariacica é a droga sintética “miau-miau”
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A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) vai investigar se a droga apreendida pela Polícia Militar em Cariacica é o entorpecente sintético mefedrona, conhecido como “miau-miau”, que tem viciado adolescentes e jovens na Rússia por seu grande potencial de causar dependência química.
A apreensão ocorreu no bairro Sotelândia, na noite de segunda-feira. Segundo informações da TV Tribuna/Band, inicialmente os policiais militares teriam identificado o material como crack, porém, após a apreensão, suspeitaram que se tratava de mefedrona.
O motivo seria que o material é branco, ao contrário do crack, que é amarelado. Além disso, o entorpecente exalava um forte odor.
O material foi localizado após um suspeito fugir durante uma ação da PM. Ele teria abandonado uma sacola com 200 pacotes da droga.
A diretora do Instituto de Laboratórios de Análises Forenses da PCIES, Caline Airão Destefani, informou ontem que a droga chegará para a análise na terça-feira. O laudo deve ficar pronto de 10 a 15 dias.
Segundo Caline, ao todo, três apreensões da droga ocorreram no Estado, todas em 2013. “É uma droga proibida no Brasil. Esse material foi apreendido pela primeira vez na forma de comprimido, mas pode ser encontrado como pedra e pó. O odor forte pode ser devido ao uso de solventes.”
O psiquiatra Valdir Campos, professor de Psiquiatria da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que a mefedrona é um entorpecente estimulante da classe das novas substâncias psicoestimulantes (NSPS).
“Causa um quadro de euforia, pensamento acelerado, arritmias, delírios, alucinações, convulsão e morte.” Para o especialista, há também as implicações na saúde pública.
A médica psiquiatra Letícia Maria Akel Mameri Trés, diretora-executiva da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), esclareceu que, no caso da mefedrona, o que contribui para um potencial de dependência relativamente elevado é seu mecanismo de ação: ela aumenta rapidamente a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina.
“Esse aumento intenso está associado a sensações de euforia e reforço positivo, o que pode levar ao uso repetido em intervalos curtos. A duração relativamente breve dos efeitos pode favorecer padrões de uso compulsivo, fator que, na prática, pode acelerar o desenvolvimento de dependência em alguns indivíduos”, frisou.
Rússia enfrenta aumento no uso
A Rússia enfrenta uma crescente crise de consumo de drogas sintéticas com a mefedrona, conhecida como “miau-miau”.
O consumo tem aumentado significativamente entre adolescentes, além de militares e veteranos da guerra na Ucrânia.
A droga tornou-se muito popular e barata no país, com relatos de uso por crianças a partir dos 11 ou 12 anos.
Atualmente, a droga sintética é amplamente comercializada na darkweb, na qual os usuários chegam a avaliar e classificar os lotes disponíveis para venda.
A disseminação da mefedrona tem gerado comparações com a crise do fentanil nos Estados Unidos.
Saiba mais
Mefedrona
A Mefedrona é classificada como um estimulante (semelhante a drogas como o MDMA).
É um entorpecente estimulante do grupo das novas substâncias psicoestimulantes (NSPS).
Efeitos
Provoca euforia intensa, aumento da energia, sensação de empatia e sociabilidade, além de aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial, dilatação das pupilas e redução do apetite.
No entanto, também pode causar efeitos adversos importantes, como ansiedade, agitação, paranoia, insônia, sudorese excessiva e náuseas.
Em casos mais graves, pode levar a arritmias cardíacas e hipertermia.
Abstinência
Os sintomas de abstinência da mefedrona podem ser intensos, mas variam bastante entre indivíduos e padrões de uso.
Em geral, incluem fadiga acentuada, humor deprimido, irritabilidade, ansiedade e forte desejo de usar novamente (craving).
Esses sintomas estão relacionados principalmente à depleção (redução na concentração) de neurotransmissores — especialmente dopamina e serotonina — após o uso repetido.
Maior desconforto
Como a droga provoca liberações intensas dessas substâncias, o organismo entra em um estado de “déficit” quando o efeito passa, o que pode gerar desconforto significativo.
Comparativamente, a abstinência pode ser mais marcada do que em alguns estimulantes leves, mas geralmente não apresenta risco físico grave como ocorre com substâncias como álcool ou benzodiazepínicos.
Ainda assim, o impacto psicológico pode ser relevante e contribuir para recaídas.
Adolescentes
A adolescência é a fase de amadurecimento do cérebro e da personalidade e o uso dessas substâncias pode trazer sérios prejuízos e a instalação precoce da dependência.
Fonte: Especialistas consultados.
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