Com o apoio do ES, Brasil bateu recorde em exportações de rochas ao Oriente Médio
Exportações recordes impulsionam o setor de rochas, com protagonismo capixaba e avanço no Oriente Médio e na Ásia
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A exportação de rochas naturais do Brasil bateu recorde em exportações em 2025, sendo sustentado pelo Espírito Santo, que representa 78,5% da produção do setor.
Um dos fatores que justifica esse recorde é o aumento do interesse do Oriente Médio pelos produtos capixabas, que têm sido utilizados nos projetos arquitetônicos de alto padrão da região.
O setor movimentou, ao longo do ano passado, US$ 1,48 bilhão (R$ 7,608 bi), uma alta de de 18,7% em relação ao mesmo período de 2024. O objetivo do setor é alcançar US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bi) em exportações até 2030, ampliando sua participação no mercado internacional e consolidando o País como referência global em rochas.
O Espírito Santo é responsável por mais de 78,5% da produção nacional no setor, o que representou cerca de US$ 1,2 bilhão em exportações em 2025. O desempenho no ano fez o Brasil ocupar a quarta colocação entre os maiores produtores do segmento no mundo, e o quinto entre os maiores exportadores.
O principal destino no Oriente Médio são os Emirados Árabes, onde foram exportados US$ 13,5 milhões, alta de 295,8% em relação a 2024. Na sequência, estão Israel (US$ 4,2 milhões; +99,7%) e Arábia Saudita (US$ 889,7 mil).
Os quartzitos brasileiros são o principal produto exportado para a região, representando 63,3% do total (US$ 13,1 milhões; +197,3%), seguidos pelos granitos (30,2%) e mármores (5,7%).
O presidente da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Tales Machado, explica que o movimento para consolidar o mercado do Oriente Médio ocorreu por conta do “tarifaço” dos Estados Unidos, que forçou a indústria brasileira a buscar novos mercados e ampliar atuação em outros onde já tinha presença.
“Avançamos na consolidação de novos mercados e ampliamos nossa atuação no Oriente Médio, região onde o Brasil ainda tem pouca representatividade direta, já que grande parte dos materiais chega por meio de países geograficamente mais próximos”, explica.
Outro país da Ásia, mas de fora do Oriente Médio, que segue tendo forte influência nas exportações do setor no Brasil é a China: foi o segundo maior destino das rochas naturais brasileiras em 2025, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme dados da Centrorochas.
Segundo o levantamento do segmento, as vendas para os chineses cresceram 3,8%.
“O setor vê com muita importância os projetos portuários no Espírito Santo, como o Porto da Imetame, previsto para 2028, porque são fatores que vão ajudar o segmento a crescer ainda mais no mercado internacional”, afirma Machado.
Relação com investimentos diretos no Espírito Santo
Além da relação comercial para exportação e importação de produtos, o Espírito Santo tem se aproximado do empresariado asiático para investimentos no ES.
Exemplo recente foi a Great Wall Motors (GWM), que anunciou que instalará a sua segunda unidade no Brasil no Espírito Santo, em Aracruz. A expectativa é de que a nova unidade produza 200 mil carros por ano e crie 10 mil empregos para a população capixaba.
A decisão da GWM não foi por acaso: em 2024, o Espírito Santo inaugurou o Centro de Excelência em Mobilidade do Brasil, localizado no Senai Vitória. Com capacidade para 450 alunos por dia, o local recebeu apoio estrutural da própria GWM e da BYD, que forneceram carros, partes e peças para equipar as instalações.
A estrutura oferece qualificação e treinamento a profissionais de todo o País, relacionados à movimentação, carregamento, armazenagem, utilização, manutenção e retrabalhos em veículos híbridos e elétricos, seus sistemas e baterias.
No entanto, a aproximação chinesa com o Estado não se limita à indústria automobilística: em Cariacica, a empresa HDTC Tecnology, focada em acessórios para equipamentos eletrônicos, dialoga, desde novembro do ano passado, com a prefeitura sobre a possibilidade de instalar um polo logístico em Nova Rosa da Penha.
Segundo estudos, o Brasil consome 80 milhões de telas. O objetivo da empresa é abocanhar de 20% a 40% do mercado.
“Os empresários chineses demonstraram interesse em investir em nossa cidade”, disse o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio.
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