Os “NOLTS” e a nova face do envelhecimento
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Você conhece, ou talvez seja, alguém com mais de 60 anos que segue ativo, trabalhando, cultivando relações, praticando exercícios, aprendendo coisas novas e vivendo plenamente, sem se prender a limitações ou estereótipos associados à idade? Pois bem: essa pessoa pode ser considerada um “NOLT”, termo cunhado recentemente para definir aqueles que, na prática, desafiam e ressignificam a ideia tradicional do que é envelhecer.
O termo, abreviação para New Older Living Trend, ganhou as redes sociais e significa em tradução livre uma nova forma de viver a maturidade, reconfigurando comportamentos, desejos e posturas relacionadas ao envelhecimento.
Mas, para além da expressão em si, o que importa é a reflexão proposta pela nova trend em um país cuja população envelhece a olhos vistos e nas estatísticas. Dados do IBGE de 2022 revelam que o número de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em apenas 12 anos. Além disso, a estimativa é que, em 2050, o Brasil tenha 30% de sua população com idade acima dos 60 anos.
E viver mais precisa vir acompanhado de viver melhor. E é isso que os NOLTS têm buscado e demonstrado. Eles fazem o que chamamos há alguns anos de “bem envelhecer”, encarando o processo de envelhecimento como ele realmente é: mais uma etapa da vida e não uma sentença de finitude e de “aposentadoria” do querer e do ser.
Quem bem envelhece pode recusar rótulos e construir como quiser mais um importante e rico capítulo de sua história de vida. Quer se aposentar e ter tempo para outras atividades? Ótimo. Quer continuar trabalhando porque se sente melhor assim? Tudo bem, também.
É claro que esbarramos aqui em questões sociais importantes, levando em conta que a maior parte dos idosos precisa do trabalho como condição de sobrevivência, e o aspecto financeiro é um pilar importante do conceito de bem envelhecer, exigindo políticas públicas para além de decisões individuais.
O que fica, no entanto, é que, apesar de tudo o que é preciso resolver para o pleno usufruto de um bem envelhecer para o maior número possível de pessoas, o idoso de hoje não se enquadra mais nos padrões do passado.
O NOLT quer autonomia, independência, saúde e protagonismo para fazer suas escolhas. É um indivíduo conectado, que ocupa as redes sociais, contribuindo na construção de um “feed prateado”, que prova que o conceito de idoso realmente ficou velho.
Para ele, a idade é só um número, e não representa de fato o modo como se deve viver. E isso não significa a ilusão de ter controle sobre a passagem do tempo. Ao contrário, o que se percebe é um movimento consciente e crítico, que também rechaça a busca de uma juventude fabricada ou a pressão pela produtividade a qualquer custo.
É um desejo de viver e seguir, como bem disse o poeta, sem ter vergonha de ser feliz e de aprender. Gonzaguinha fica com a pureza das respostas das crianças. Escolho a alegria, a energia e a sabedoria do novo idoso que também diz, e prova, que uma vida bem vivida é uma fonte inesgotável de beleza.
Maycon Oliveira é diretor de marketing da MedSênior.
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