O papel da arquitetura na prevenção das hepatites
A arquiteta Joana Scabelo explica como a organização hospitalar pode ser uma aliada potente no combate às hepatites virais
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Neste 28 de julho, celebramos o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. A data é um alerta sobre infecções silenciosas que atingem o fígado de milhões de pessoas no mundo. Quando pensamos em prevenção e cura para os tipos A, B e C, logo imaginamos vacinas e medicamentos. Mas existe um aliado poderoso e muitas vezes invisível nessa batalha: o próprio ambiente de atendimento.
Como arquiteta especialista na área hospitalar, sei que projetar um espaço de saúde vai muito além da estética. Trata-se de aplicar, com precisão, as normas técnicas que garantem que a estrutura física proteja pacientes e profissionais. O hospital é uma engrenagem complexa, e seu layout precisa ser calculado desde a recepção até a internação, para funcionar a favor da vida.
A prevenção das hepatites está diretamente ligada ao espaço. A hepatite A tem forte relação com higiene e saneamento, enquanto as hepatites B e C são transmitidas, majoritariamente, pelo contato com sangue e materiais contaminados. Se o ambiente não for preparado para lidar com esses riscos, ele mesmo falha na contenção da transmissão do vírus.
É aí que a arquitetura atua como barreira física de proteção. Em vez de apenas desenhar salas, criamos fluxos funcionais restritos, planejados para que materiais esterilizados nunca cruzem com resíduos ou instrumentos contaminados. Cada pia para higienização das mãos, cada sistema de exaustão e cada revestimento escolhido seguem parâmetros como os da RDC nº 50 da Anvisa, que regula a infraestrutura física dos estabelecimentos de saúde no Brasil.
Mas a responsabilidade do projeto se estende até a etapa de cura. Pacientes com complicações hepáticas severas costumam passar por longos períodos de internação. Um quarto escuro, com layout mal resolvido, acessibilidade inadequada ou ambiente abafado aumenta o estresse físico e mental, prejudicando a recuperação.
Por isso, um projeto de excelência prioriza a humanização: conforto térmico, ventilação adequada e entrada de luz natural. Estudos em design hospitalar, como os do pesquisador Roger Ulrich, associam ambientes acolhedores e bem iluminados a menor estresse do paciente, recuperações mais tranquilas e até redução no tempo de internação. O espaço, afinal, também atua como tratamento.
Adequar clínicas e hospitais às normas não é mera burocracia: é uma questão urgente de saúde pública. Exige um olhar técnico profundo para unir a intensa rotina de médicos e enfermeiros à segurança total do paciente que busca atendimento.
O combate às hepatites começa com você: faça os exames preventivos e vacine-se. Enquanto isso, nós, arquitetos, seguimos aplicando o cuidado técnico para garantir que clínicas e hospitais sejam o seu principal aliado e o espaço mais seguro para a cura.
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