A perda do encantamento pela vida
Excesso de cobranças, hiperconectividade e perdas podem afetar a saúde mental e tirar o prazer das atividades do dia a dia
Cláudio Miranda
Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.
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Viver é se relacionar, é interagir com o mundo e com as pessoas à sua volta. Pense nas coisas que você faz diariamente e que te dão alegria e contentamento. A vida exerce um encanto sobre nós e isso nos move para novas conquistas e buscas de realização pessoal.
Existe uma crise da saúde mental no mundo relatada por vários estudos. Há um aumento significativo do nível de ansiedade, estresse e esgotamento emocional. Isso provavelmente está relacionado a um intenso consumismo e a buscas equivocadas de sucesso pessoal.
As incertezas sociais, econômicas e tecnológicas diante de um futuro incerto, com a corrupção na política em todo o mundo, guerras e desemprego em larga escala.
Há uma sobrecarga de informações e hiperconectividade com foco excessivo nas ilusões do mundo virtual e a velha busca de ser rico, ter sucesso e de ser famoso. Todas essas questões afetam a saúde mental do cidadão de qualquer país.
Para algumas pessoas a vida pode começar a perder a graça e encantamento ao longo do tempo. Elas sentem um estado de vazio ou apatia em que as coisas comuns que gostava deixam de trazer alegria, perdem sentido no seu dia a dia.
Fatores que abalam o emocional das pessoas:
1 - O excesso de obrigações com o cansaço diário, tirando o interesse das coisas que gosta.
2 - O uso exagerado do celular acelerando a mente, diminuindo a paciência e o prazer calmo de desfrutar os momentos, como ler ou contemplar.
3 - Decepções e perdas vividas ao longo do tempo podem fazer a pessoa se fechar para se proteger da dor.
4 - A falta de conexão entre o que você vive hoje e o que realmente importa para o seu interior gera uma sensação de desamparo.
É uma coisa crônica, que vai se instalando aos poucos, por isso muita gente não procura ajuda.
Vai-se acostumando e achando que foi sempre assim. Mas quando se percebe, já não se sente mais prazer em quase nada.
Esse estado já pode ser considerado um transtorno depressivo persistente. É um cansaço que não faz barulho, mas ele está lá. Sentir que a vida perdeu o sabor não é frescura, nem fraqueza. Tem base neurológica, tem raiz social, tem dimensão existencial.
Na perda da alegria de viver a pessoa tende a se afastar do convívio social e até familiar. A redução de vínculos sociais pode aumentar ainda mais os sintomas depressivos.
Sentir-se necessário, ter uma função, trocar ideias com outras pessoas é o que mantém o cérebro vivo, juntamente com uma sensação de alegria e pertencimento.
Para toda essa situação há necessidade de intervenções e tratamentos muitas vezes com medicamentos e terapia.
Além desses, surgem outras alternativas complementares como a meditação que atua como ferramenta de autorregulação.
Se hoje tudo parece sem graça, talvez o problema não seja você fazer pouco, mas você ter parado de ser verdadeiramente necessário para alguém, para um projeto, ou para si mesmo. Encontrar essa necessidade é o começo da volta.
Além da terapia e da medicação experimente também a meditação. Aprenda a meditar gratuitamente no Instagram @meditarebom. Todo esse transtorno e caos interior é um convite à contemplação e autocuidado e olhar para dentro de si.
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