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OLHARES COTIDIANOS

O que vem depois da dor

Reflexão propõe que, além de denunciar a violência, mulheres avancem para a reconstrução da própria autonomia e protagonismo

Sátina Pimenta | 05/03/2026, 12:33 h | Atualizado em 05/03/2026, 12:33
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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          Imagem ilustrativa da imagem O que vem depois da dor
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

Março chega com convites, campanhas e discursos já conhecidos. Durante anos, falamos — e com razão — sobre a violência contra a mulher, aprendemos a nomeá-la, reconhecemos seus sinais e fortalecemos marcos como a Lei Maria da Penha. Mas, neste ano, algo chama atenção: a demanda mudou. Já não querem falar apenas da violência, mas do que vem depois dela.

Empoderamento, cidadania, autocuidado, posicionamento. A pergunta deixou de ser apenas “o que estou vivendo?” e passou a ser “quem sou eu depois que entendo tudo isso?”. Porque reconhecer a violência é um passo fundamental, mas não encerra a jornada.

Denunciar, romper e se afastar são atos de coragem — mas abrem um território pouco discutido: o da reconstrução.

E esse território é desafiador. Muitas mulheres foram historicamente ensinadas a existir para o outro — cuidando, sustentando, organizando, suportando. Quando esse ciclo se rompe, surge um encontro difícil: o encontro consigo mesma.

E, muitas vezes, esse “eu” ainda não foi construído, nomeado ou reconhecido. Falta repertório interno, falta autorização simbólica e, principalmente, falta prática de se colocar no centro da própria vida.

É nesse ponto que a psicologia social nos ajuda a avançar. A ideia de cidadania emancipatória vai além de conhecer direitos e deveres; trata-se de se reconhecer como sujeito ativo, capaz de construir a própria história. Não é apenas sair da violência, mas ocupar um lugar de autoria sobre a própria vida.

E aqui existe um risco silencioso: parar na denúncia e não avançar para a reconstrução. Saber o que não aceita mais, mas não saber o que deseja. Dizer “não” ao outro, mas não conseguir dizer “sim” para si. Nesse intervalo, o ciclo pode se reorganizar de forma mais sutil, mantendo a desconexão consigo mesma.

Talvez este seja o novo chamado: menos foco apenas no que nos feriu e mais atenção ao que faremos com isso. O que vem depois da dor não é vazio — é possibilidade. E possibilidade exige escolha, responsabilidade e coragem.

Ser cidadã, nesse sentido, é também se autorizar a existir para si. É reconhecer valor na própria existência, para além do que se faz pelos outros.

Como convite à reflexão, deixo a música “Triste, Louca ou Má”, de Francisco, el Hombre: “Você não precisa ser nada que não queira ser…”

Que março não seja apenas sobre lembrar a violência, mas sobre sustentar o “sim” para si mesma – mesmo quando isso exige romper padrões antigos, rever papéis e reconstruir caminhos. Porque é no depois que, muitas vezes, a vida realmente começa.

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