Seis pedestres e ciclistas são internados todo dia pelo SUS no ES
De acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, o Espírito Santo registrou 2.342 hospitalizações de ciclistas e pedestres em 2025
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Hospitais públicos capixabas registraram, no ano passado, uma média de seis internações de pedestres e ciclistas vítimas de acidente de trânsito por dia.
Os dados são da Secretaria de Estada Saúde e apontam um crescimento no número de hospitalizações desse público em relação ao ano anterior.
A divulgação dos números faz parte da campanha Maio Amarelo, que visa chamar atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito.
De acordo com o levantamento, o Estado registrou 2.342 internações de ciclistas e pedestres em 2025, sendo 1.777 pedestres e 565 ciclistas.
Segundo o ortopedista Bernardo Terra, esses pacientes formam um grupo mais frágil, com maior risco de apresentar sequelas relevantes.
“Trata-se de um grupo naturalmente mais vulnerável, porque não há qualquer proteção estrutural, o que faz com que a energia do impacto seja absorvida diretamente pelo corpo. De forma geral, o perfil dos traumas nesses públicos varia desde lesões ortopédicas isoladas até quadros de maior gravidade”, explica o especialista.
Igor Vasconcelos, coordenador da Ortopedia do Hospital Antônio Bezerra de Faria, destaca que o crescimento de hospitalizações está relacionado, ainda, ao aumento do número de ocorrências envolvendo bicicletas elétricas.
“Muitas vezes, o acidente com a bicicleta elétrica se comporta como um acidente de uma motocicleta mais leve. Isso acontece porque a bicicleta elétrica assume uma velocidade maior e é usada sem cuidados básicos de segurança, tornando o condutor mais vulnerável que um ciclista convencional”, destaca.
Jovens
O ortopedista Jefferson Coelho de Léo destaca, ainda, que a maior parte das hospitalizações é de pacientes mais jovens, em idade produtiva.
“Isso tira muitos dias de trabalho, gera custos e necessidade de reabilitação. São pacientes que, muitas vezes, perdem a capacidade de trabalhar e de produzir. É um problema muito relevante”, afirma o especialista.
Pedestre atropelada em cruzamento
Thamirys Coelho, de 28 anos, foi atropelada em um cruzamento por um carro no bairro Jabaeté, Vila Velha, em outubro de 2025.
Ela conta que, com o impacto, bateu a cabeça e acabou desmaiando. “O carro me pegou em cheio e eu fiquei inconsciente. Tive um corte na cabeça, levei seis pontos e também tive uma lesão no ombro direito”, relembra.
Devido ao acidente, ela também precisou passar por uma cirurgia para corrigir uma fratura na clavícula.
“Precisei fazer fisioterapia e passei 2 meses imobilizada. Me afetou emocionalmente por conta do meu trabalho”, conta a micropigmentadora.
Jovem sofre queda em ciclovia
A designer de sobrancelhas Lorena Schaeffer foi vítima de um acidente enquanto andava de bicicleta na orla de Vila Velha.
Ela, que fazia o mesmo trajeto diariamente, colidiu com uma placa de sinalização ao se distrair na via.
“Eu bati na madeira e, na queda, acabei quebrando a mão direita. Passei por uma cirurgia e precisei colocar três parafusos. Foram 60 dias sem atender e mais de 40 dias para receber a primeira parcela do INSS como autônoma. Se eu não tivesse organização financeira, teria sido ainda mais difícil”, relembra a profissional do ramo da beleza.
Aumento de internações
Segundo a Secretaria de Saúde, o Espírito Santo registrou um aumento de 12,1% no número de internações ligadas a acidentes de trânsito no ano passado, com 8.304 registros.
Do total, foram 1.777 hospitalizações de pedestres e 565 de ciclistas, com um crescimento de 43,4% e 51,5% em relação ao ano anterior, respectivamente.
Em relação à faixa etária, o maior número de internações de pedestres foi registrada em idosos com mais de 60 anos, grupo considerado mais suscetível a lesões graves e mortes.
Já em relação aos ciclistas, as ocorrências se distribuem em diferentes faixas etárias, com maior concentração entre 20 e 49 anos.
No período, foram 130 mortes de pedestres e 45 de ciclistas.
Perfil dos traumas observados
Pedestres
- Trauma de alta energia, especialmente atropelamentos.
- Impacto inicial em membros inferiores.
- Projeção, que resulta em trauma torácico/abdominal.
Ciclistas
- Quedas com impacto direto.
- Colisões com veículos.
- lesões frequentes na clavícula, ombro, punho, face, crânio e em ligamentos.
- Usuários de bikes elétricas
- Traumas de maior energia.
- Maior ocorrência de fraturas complexas e traumatismo cranioencefálico (TCE).
- Em alguns casos, perfil de trauma semelhante ao de motociclistas envolvidos em acidentes leves.
Dados de Internação
- Pedestre - 1.239 (2024) e 1.777 (2025)
- Ciclista - 373 (2024) e 565 (2025)
Dados de mortes
- Pedestre - 140 (2024) e 130 (2025)
- Ciclista - 43 (2024) e 45 (2025)
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