Paralisação de motoboys gera prejuízos em bares e restaurantes da Grande Vitória
Estabelecimentos sentiram o impacto com o protesto dos entregadores de aplicativos, que pedem melhores condições
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O último dia da paralisação nacional de motoboys que trabalham fazendo entrega e como motoristas de aplicativo deixou um saldo de prejuízo para bares e restaurantes. Na Grande Vitória, além da adesão à paralisação, motoboys fizeram motociata e foram à Assembleia Legislativa. Eles pedem por melhores condições de trabalho.
Ivan Bridi é proprietário do Quintal Parilla Bar. Por lá, o delivery não é o principal meio por onde chegam os pedidos, mas, como forma de complementar as opções de atendimento, são oferecidas aos clientes a opção de entrega.
Na hora do almoço, o restaurante costuma receber em torno de 20 pedidos por delivery. Segunda-feira, devido à paralisação, só conseguiram atender seis pedidos. “O aplicativo que uso para receber e entregar os pedidos funcionou parcialmente. Consegui fazer algumas entregas, mas poucas”.
Outro estabelecimento que sentiu os impactos foi a Petit Doceria. A proprietária Gizele Sarcinelli conta que houve uma queda de cerca de 50%. “O sistema diz que está com menos parceiros disponíveis, mas alguns pedidos estão chegando para nós e sendo entregues”.
O movimento, que teve início na última segunda-feira, reivindica melhores condições de trabalho para funcionários que prestam serviços às plataformas de entrega e transporte de passageiros.
Após a motociata de ontem, que rodou pela Grande Vitória, os motociclistas foram até a Assembleia Legislativa formalizar, junto aos deputados, suas reivindicações.
Um dos organizadores do movimento no Estado, o motoboy Fabiano Firmino, de 33 anos, disse que os deputados Coronel Wellington, Camila Valadão, Janete de Sá e Delegado Danilo Bahiense se posicionaram sobre a situação.
“Os trabalhadores seguem mobilizados. A paralisação acabou. Estamos confiantes que os deputados nos ajudarão e, caso não haja avanços nas negociações com as empresas, consideramos novas paralisações, inclusive aos finais de semana”.
SAIBA MAIS
Reivindicações
Aumento da taxa mínima para R$ 10 por corrida. Atualmente, esse valor é de R$ 4,70, e vale para corridas com distância inferiore a 5 km.
Aumento da remuneração por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50.
Limitação da atuação das bicicletas a um raio máximo de 3 quilômetros.
Obrigar que todos os usuários tenham foto no cadastro.
Liberdade para escolha de rota.
Ponto de apoio em cada aplicativo.
Tempo máximo de espera no estabelecimento e no cliente final de 5 minutos.
Humanizar o atendimento.
O pagamento integral de cada pedidos, em casos que diversas entregas são agrupadas na mesma rota.
Amobitec
É uma entidade que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços. São associadas: 99, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, nocnoc, Shein, Uber e Zé Delivery.
Hoje são 455.621 entregadores em serviço em todas as associadas.
Sobre a paralisação, ela diz que as associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores.
Sobre a remuneração, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada, disse a nota.
Fonte: Entregadores e entidades citadas.
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