Justiça autoriza mediação em crise da Apex Partners
Decisão fixa prazos para escolha de mediador, organização de documentos e manutenção da proteção judicial enquanto tramita o pedido de recuperação
A Justiça do Espírito Santo autorizou a abertura de uma mediação entre a Apex Partners, seus credores, sócios e investidores em busca de soluções para a crise financeira do grupo, que informou à Justiça ter dívidas de cerca de R$ 985,6 milhões. Tanto a Apex Partners quanto Fernando Cinelli, fundador do grupo e ex-administrador afastado, avaliaram a decisão de forma positiva.
A decisão, assinada na terça-feira (20) pelo juiz Carlos Magno Moulin Lima, dá dez dias para que os envolvidos escolham, em comum acordo, um mediador. Se não houver consenso, a Justiça fará a indicação. A Apex Partners e as demais empresas que participam do pedido de recuperação judicial têm cinco dias para indicar representantes com poderes para negociar acordos. A primeira reunião, para organizar as negociações, deverá ocorrer em até 30 dias.
Apex Partners e Fernando Cinelli veem mediação de forma positiva
A Apex Partners S/A informou considerar positiva a decisão da Justiça por organizar o andamento do processo, dar prazo adicional para a apresentação de informações e prever a escolha de um mediador para aproximar a empresa dos investidores e buscar uma solução para o caso.
“A mediação já estava prevista nos planos da Apex, que vai trabalhar na escolha de um profissional com capacidade técnica e neutralidade para conduzir o diálogo entre as partes e contribuir para a construção de soluções que preservem os interesses dos envolvidos”, disse a empresa.
Fernando Cinelli também considerou positiva a autorização para a mediação. “A decisão representa um avanço relevante na busca de uma solução negociada e capaz de preservar os interesses de credores, investidores e de todos os demais envolvidos nesse episódio”, disse.
Ele afirmou que, desde 15 de setembro, quando diz ter apresentado a primeira petição sobre o assunto, defende uma solução baseada em informações completas e no respeito às regras de governança e à segurança jurídica.
“Espero que, a partir de agora, seja possível avançar de forma construtiva e responsável para que eventuais perdas possam ser devidamente reparadas”, afirmou.
A decisão também estabeleceu regras para o acesso aos documentos sigilosos do processo, de acordo com o tipo de informação e o grau de confidencialidade. Os advogados das partes e de terceiros já habilitados poderão consultar determinados documentos mediante assinatura de um termo de confidencialidade. Outros arquivos, como dados pessoais de funcionários, continuarão com acesso restrito.
“Ao também autorizar a mediação e garantir meu acesso a documentos há muito solicitados, a Justiça só reforça a importância da transparência e do diálogo”, disse Cinelli.
Recuperação judicial depende de documentação
A decisão também manteve a proteção judicial concedida anteriormente ao grupo, que suspende execuções e impede determinadas medidas de cobrança e bloqueio de bens. O prazo termina em 3 de fevereiro de 2027. Uma eventual prorrogação por mais 180 dias será excepcional, e o juiz afirmou que levará em conta se a demora na entrega dos documentos necessários à análise do pedido foi causada pelas empresas.
A recuperação judicial ainda não foi autorizada. Para decidir se aceita o pedido, o juiz determinou que a Apex Partners e as demais empresas envolvidas entreguem documentos e esclarecimentos que faltam. Parte desse material deve ser apresentada em até 30 dias. Para outros documentos, que não impedem a análise inicial do pedido, o prazo é de até 60 dias, com entrega gradual.
A Apex informou que montou uma “força-tarefa” para reunir e organizar os documentos necessários à análise do pedido de recuperação judicial. Segundo a empresa, a gestão anterior deixou uma situação de “complexa desorganização contábil”.
“A Apex também contratou uma assessoria contábil para apoiar esse trabalho e identificar alternativas para a recuperação da empresa, mas vem enfrentando o fato de que as demonstrações financeiras referentes aos anos de 2023, 2024, 2025 e, principalmente, de 2026 estão incompletas”, informou.
Procurado pela reportagem, Cinelli ainda não se manifestou sobre a suposta desorganização.
Veja a declaração completa de Fernando Cinelli
A decisão representa um avanço relevante na busca de uma solução negociada e capaz de preservar os interesses de credores, investidores e de todos os demais envolvidos nesse episódio. Ao também autorizar a mediação e garantir meu acesso a documentos há muito solicitados, a Justiça só reforça a importância da transparência e do diálogo. Desde 15 de setembro, quando apresentei a primeira petição sobre o assunto, venho defendendo um desfecho baseado em dados completos e no respeito às regras de governança e à segurança jurídica. Espero que, a partir de agora, seja possível avançar de forma construtiva e responsável para que eventuais perdas possam ser devidamente reparadas.
Veja a nota enviada pela Apex Partners
A Apex Partners S/A informa que a decisão da Justiça é positiva porque organiza o andamento processual, concede prazo adicional para a apresentação de informações em juízo e, entre outras medidas, prevê a nomeação de um mediador para interlocução entre a empresa e os investidores em busca de uma solução para o caso. A mediação já estava prevista nos planos da Apex, que vai trabalhar na escolha de um profissional com capacidade técnica e neutralidade para conduzir o diálogo entre as partes e contribuir para a construção de soluções que preservem os interesses dos envolvidos.
A companhia também considera relevante a autorização judicial para solicitar aos investidores aportes relacionados aos projetos imobiliários, medida que permite dar andamento às iniciativas da área de Real Estate, considerada estratégica para o futuro da empresa.
A empresa segue empenhada em cumprir as determinações judiciais, avançar na organização contábil e financeira e buscar soluções para sua reestruturação, com transparência e responsabilidade perante a Justiça, os investidores e os demais credores.
Importante destacar que, além de deixar a Apex com inconsistências financeiras graves, Fernando Cinelli deixou a empresa em uma complexa desorganização contábil. Desde então, uma força-tarefa trabalha para reunir e organizar a documentação necessária à análise do pedido de recuperação judicial. A Apex também contratou uma assessoria contábil para apoiar esse trabalho e identificar alternativas para a recuperação da empresa, mas vem enfrentando o fato de que as demonstrações financeiras referentes aos anos de 2023, 2024, 2025 e, principalmente, de 2026 estão incompletas.
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