Médicos explicam sinais do câncer que matou cantor Netinho
Cantor morreu vítima de linfoma não Hodgkin. Especialistas alertam para sintomas como ínguas indolores, suor noturno e febre
A morte do cantor Netinho, ícone do axé, aos 60 anos, na última terça-feira (13), em Salvador, chama a atenção para os sinais do câncer que vitimou o artista.
Diagnosticado em março de 2025 com linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que afeta o sistema linfático, responsável por filtrar impurezas do organismo, o cantor enfrentou tratamento e uma recaída da doença neste ano.
“O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que ataca os linfócitos, células que fazem parte do nosso sistema de defesa. A doença pode acometer também órgãos como a medula óssea, o fígado e o baço”, explicou Rayana Bomfim, hematologista da Cardiodiagnóstico.
Um dos sinais mais comuns da doença é o aparecimento de ínguas, principalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha, geralmente sem manifestação de dor.
“Outros sintomas são febre sem causa aparente, suor excessivo durante a noite, perda de peso sem explicação e cansaço persistente”, detalhou a hematologista.
Os linfomas não Hodgkin são sempre malignos, e os mais agressivos são os que acontecem com maior frequência na população, correspondendo a 70% dos casos, alerta Marcos Daniel, hematologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“Uma parte dos linfomas, principalmente os subtipos mais raros, como foi o caso do Netinho, apesar de apresentarem uma resposta inicial, têm tendência a retornar, em geral após dois ou três anos. Fazemos intensa vigilância para detecção precoce”, disse o médico.
Os linfomas não são doenças que podem ser prevenidas, como os tumores de mama, de colo do útero, de pulmão ou de próstata. Porém, há tratamento com chance de cura, afirma Marcelo Aduan, hematologista do Hospital Santa Rita.
“Empregamos quimioterapia associada à imunoterapia. Em alguns casos, realizamos transplante de medula óssea. Na maioria dos tratamentos, porém, fazemos terapia com células modificadas”, explicou o especialista.
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento no momento certo, antes que o câncer provoque complicações, orienta Marcelo.
“Caso os sintomas da doença sejam identificados, é importante marcar consulta com um hematologista para avaliação do caso, sem necessidade de pânico”, reforçou.
Estrelas da música baiana lamentam a morte do cantor
Estrelas da música como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Bell Marques e outros famosos lamentaram a morte do cantor Netinho, símbolo da axé music, por meio de postagens nas redes sociais.
Ernesto de Souza Andrade Júnior, o Netinho, estava internado em um hospital de Salvador. Segundo a assessoria, nos últimos meses ele enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
O velório e a cremação serão realizados nesta quarta-feira (14) de forma reservada, restritos a familiares e amigos próximos, em Salvador.
Ivete homenageou Netinho compartilhando o vídeo de uma gravação que os dois fizeram juntos, cantando “Tempos Modernos”, sucesso de Lulu Santos. Na legenda, a cantora demonstrou pesar e solidariedade com amigos e familiares do colega.
“Quando alguém que convivemos, que conhecemos, que já compartilhamos coisas especiais, se vai, é uma tristeza grande. Comecei a minha carreira com muitas mãos estendidas, com muito carinho e muito apoio. Ernesto foi, sem dúvida, uma dessas mãos. Siga em paz, querido”, escreveu na publicação feita no Instagram.
Cláudia Leitte publicou uma foto antiga com o amigo. “Descanse em paz, meu irmão”. Os dois artistas gravaram uma música juntos, “Aliança”.
A cantora Sarajane, voz do sucesso “A Roda”, também lamentou a morte de Netinho nas redes sociais. “Deus abençoe o seu regresso, você foi um grande guerreiro, a música está triste com sua partida no planeta, mas sua caminhada não termina. Meus pêsames à família biológica, a nós artistas”.
Bell Marques classificou Netinho como “um dos maiores cantores que a Bahia apresentou ao mundo” e afirmou que passou a admirá-lo ainda mais nos últimos anos, após ver a maneira que ele enfrentou os desafios da vida.
“Você brilhou nos palcos, encantou multidões e levou a alegria da nossa Bahia para tantos lugares. Continuará brilhando na memória, no coração de quem o admirou e na história da música. Seu talento fez de você um grande artista. Sua coragem fez de você um grande exemplo de vida. Descanse em paz!”.
Saiba Mais
Sinais e diagnóstico
- O linfoma não Hodgkin do tipo B é um câncer que afeta células do sistema de defesa do organismo.
- A doença pode se manifestar em formas de crescimento lento ou agressivas, de evolução rápida.
- Entre os principais sintomas estão o aparecimento de ínguas indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha, além de febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso inexplicável e cansaço persistente.
- O diagnóstico é feito por biópsia de um linfonodo e exames de imagem.
- A avaliação médica diante de ínguas persistentes ou de crescimento rápido é fundamental para a investigação e a definição da conduta.
Recorrência
- A volta da doença após uma resposta inicial ao tratamento é chamada de recidiva.
- Ela varia conforme o subtipo do linfoma e a resposta à terapia. Alguns tipos, especialmente os mais raros, podem reaparecer, geralmente após dois a três anos da primeira ocorrência.
- O acompanhamento médico é importante para identificar precocemente uma possível recorrência.
Riscos
- Os linfomas não Hodgkin são um tipo de tumores malignos que podem ocorrer em qualquer idade, embora sejam mais frequentes em pessoas com mais de 60 anos.
- Não há métodos estabelecidos de prevenção para a doença.
- Pessoas com alterações no sistema imunológico, como pacientes com Aids ou submetidos à imunossupressão, apresentam risco aumentado de complicações.
Tratamentos
- O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento oportunamente, mas o prognóstico também depende do subtipo e da resposta à terapia.
- O tratamento dos linfomas não Hodgkin agressivos geralmente combina quimioterapia e anticorpos monoclonais, utilizados na primeira linha terapêutica.
- Muitos casos podem alcançar a cura, embora os resultados variem conforme as características da doença.
- Quando ocorre recidiva ou não há resposta adequada ao tratamento inicial, as opções incluem transplante autólogo de medula óssea, no qual o próprio paciente é o doador.
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