Igrejas no ES celebram missas e orações pela saúde do Papa
Após a confirmação de doença, paróquias da Grande Vitória decidiram intensificar as preces em favor do pontífice
Missas e orações pela saúde do papa Leão 14, diagnosticado na terça-feira (13) com câncer de pulmão após passar por cirurgia para retirada de um nódulo, vão ser realizadas em igrejas do Espírito Santo.
O arcebispo de Vitória, dom Ângelo Mezzari, disse, em nota, que foi surpreendido pela notícia. “Desde o primeiro momento, estamos pedindo nas nossas comunidades e paróquias orações pelo Santo Padre, unindo-nos à Igreja em todo mundo”, afirmou.
O arcebispo também destacou que continuará em oração e pediu a todos para que coloquem o pontífice nas preces diárias.
A notícia também causou profunda e imediata preocupação no padre Reuber Côgo Daltio, da Reitoria Nossa Senhora das Graças, da Igreja do Carmo, em Vitória.
“Não tenho dúvidas de que toda a Igreja será conclamada a intensificar as orações pela cura do Santo Padre. Aqui na Igreja do Carmo, rezaremos missa todos os dias nesta intenção. Que Nossa Senhora da Saúde interceda a favor do nosso querido Papa”, disse, em nota.
Padre Anderson Gomes, do Santuário Bom Pastor, em Campo Grande, Cariacica, avaliou que o pontífice está sendo bem cuidado e que receberá orações e intenções de fiéis de todo o mundo.
“Não sabemos ainda os procedimentos futuros, mas milhares de pessoas mundo afora vão interceder pelo Papa. Queremos que ele consiga viver, e nós estaremos em oração, no Santuário Bom Pastor, nas terças-feiras e em todos os outros dias, rogando pela pronta recuperação do pontífice”, disse.
O papa Leão 14 recebeu diagnóstico de câncer de pulmão ontem, após ter sido operado no hospital Agostino Gemelli, em Roma, para a remoção de um nódulo.
Segundo o Vaticano, o procedimento retirou um tumor maligno, identificado como adenocarcinoma pulmonar.
O escritório de imprensa da Santa Sé afirmou que a cirurgia ocorreu como previsto, e que o pontífice já estava no quarto no início da noite, no horário da Itália.
“O exame confirmou o diagnóstico de um adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado por exames pré-operatórios”, diz a nota assinada pelo médico Stefano Margaritora, diretor de cirurgia torácica do hospital, e Luigi Carbore, médico do Papa.
A cirurgia durou 90 minutos e, no total, o Papa ficou cerca de três horas na sala de operação.
Tumor é comum entre não fumantes
O adenocarcinoma pulmonar, tipo de câncer diagnosticado no papa Leão 14, é o mais comum entre os tumores de pulmão e também o mais frequente entre pessoas que nunca fumaram.
Embora o tabagismo seja o principal fator de risco para a doença, poluição do ar, predisposição genética, fumo passivo e doenças pulmonares crônicas também podem levar ao diagnóstico. O Papa, que tem 71 anos, não tem histórico conhecido de tabagismo.
O pontífice passou por uma cirurgia para a retirada do lobo inferior do pulmão direito. Segundo o Vaticano, o exame realizado durante o procedimento confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma, já suspeitado nos exames pré-operatórios. A cirurgia foi realizada por técnica videoassistida e não teve complicações.
Esse tipo de tumor se desenvolve nas células glandulares, responsáveis pela produção de substâncias como o muco, que ajuda a proteger e lubrificar as vias respiratórias.
As opções de tratamento incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia. A escolha depende do tipo de tumor, do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.
A abordagem pode envolver a combinação de diferentes terapias e deve ser definida por uma equipe multidisciplinar.
Segundo Tiago Kenji, oncologista do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, a gravidade do adenocarcinoma pulmonar depende principalmente do estágio em que a doença é diagnosticada e da extensão do tumor.
Quando identificado em fase inicial e ainda localizado, como no caso do Papa, o câncer pode ser tratado com intenção curativa, por cirurgia, que pode ser acompanhada por sessões de quimioterapia.
Em casos avançados, em que não há mais chances de cura, o tratamento paliativo pode combinar diferentes terapias para controlar a doença e prolongar a sobrevida.
Irmão luta contra doença
O irmão mais velho do papa Leão 14, Louis Prevost, também luta contra um câncer. Aos 74 anos, ele está internado na Flórida, nos EUA, para tratar a doença.
A luta contra o câncer também afetou os pais dos irmãos Prevost. Em entrevista ao National Catholic Reporter, John Prevost, o outro irmão do Papa, contou que a mãe deles, Mildred, morreu em decorrência da doença.
Segundo ele, os médicos inicialmente estimaram que ela teria seis meses de vida, mas ela sobreviveu por mais seis ou oito anos após receber um medicamento experimental.
O pai da família também morreu de câncer, cerca de sete anos depois da morte de Mildred, segundo John. Os tipos de câncer enfrentados pelos pais e por Louis não foram informados.
Também não há informações públicas que estabeleçam uma relação hereditária entre os casos.
Louis apoia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reconheceu em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera ter divergências políticas com o irmão, inclusive sobre imigração.
Apesar das diferenças, os irmãos mantêm contato. O terceiro irmão, John, mora em Chicago.
Saiba Mais
Tosse, dor no peito, falta de ar e cansaço
No último domingo (11), o papa Leão 14 informou que a doença estava em fase inicial. Nos casos iniciais, a cirurgia pode ser suficiente para curar o câncer, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia.
No caso do papa, fontes do Vaticano disseram que o tecido canceroso foi totalmente removido e que os médicos não falaram sobre a necessidade de quimioterapia. Novas informações devem ser divulgadas após a conclusão de exames realizados no material extraído na operação.
Segundo Iury Melo, cirurgião torácico do Hospital da Bahia e da clínica AMO, a análise do material permite avaliar as características do tumor e verificar se houve disseminação para os linfonodos, estruturas que participam da drenagem da região. Se o resultado for positivo, poderá ser necessário tratamento complementar.
Esse é o primeiro problema de saúde do papa Leão 14 divulgado publicamente. Ele foi eleito pelos cardeais em maio de 2025.
Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão incluem tosse persistente, dor no peito, falta de ar, tosse com sangue, cansaço e perda de peso sem causa aparente. Infecções pulmonares recorrentes também podem ser um sinal da doença.
Nos estágios iniciais, porém, o câncer pode não apresentar sintomas. Quando aparecem, os sinais podem ser confundidos com os de outros problemas respiratórios.
A investigação pode envolver exames de imagem, como tomografia computadorizada, broncoscopia e análise de uma amostra de tecido.
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