“Empresa que não se preparar pode quebrar”, diz empresária sobre reforma tributária
Para a empresária contábil e presidente do Sescon-ES, Carla Tasso, quem não se preparar para a transição poderá não conseguir se manter no mercado
A reforma tributária vai muito além de uma mudança na forma de calcular impostos e exigirá que as empresas revejam a maneira como compram, vendem, formam preços e administram o próprio negócio.
Para a empresária contábil e presidente do Sescon-ES, Carla Tasso, quem não se preparar adequadamente para a transição poderá não conseguir se manter no mercado. “A empresa que não se preparar poderá quebrar”.
Segundo Carla, muitos empresários ainda enxergam a reforma como um assunto restrito à contabilidade, mas as mudanças vão afetar diferentes áreas das empresas.
Compras, vendas, financeiro e gestão terão de estar envolvidos no processo de adaptação, que exigirá organização e acompanhamento durante o período de transição.
“Tem que ter muita atenção, muito estudo por parte dos empresários, porque eles ainda estão um pouco apartados, achando que a reforma é coisa de contabilidade. Mas não é. É um processo da empresa, da parte econômica e social da empresa”, afirmou.
Um dos pontos de atenção, segundo ela, será a formação dos preços. Com a mudança na forma de cobrança dos tributos, as empresas precisarão recalcular seus valores e acompanhar os efeitos das novas regras ao longo da transição. “Muita gente está apegada a alíquota, taxa, e essa não é a verdadeira preocupação. A gente tem que focar no que muda quando compra e no que muda quando vende”, explicou.
Carla também chamou atenção para a necessidade de preparar os sistemas e os processos internos das empresas, além de avaliar fornecedores, custos e possíveis créditos tributários.
Para ela, o planejamento antecipado será fundamental para evitar que os negócios sejam surpreendidos pelas mudanças.
Outro ponto destacado pela especialista foi a necessidade de as empresas conhecerem melhor seus fornecedores. Com a mudança no sistema de créditos, a escolha de quem fornece produtos e serviços poderá interferir diretamente nos custos e na competitividade dos negócios.
“Eu preciso saber comprar. Não é só fazer três cotações e comprar o mais barato e que me entrega no prazo. É fazer as cotações, entender se o meu fornecedor é adimplente fiscalmente, porque fornecedores inadimplentes não geram crédito”, explicou.
No encerramento, a especialista reforçou que as mudanças serão graduais, mas as decisões precisam começar a ser tomadas desde já.
Opiniões
Preocupações
“Eu participo desde 2010 dessa iniciativa da Rede Tribuna, que sempre traz temas importantíssimos para a sociedade. Falar sobre a reforma tributária é tratar de um tema que traz preocupações para nós do setor educacional. Sabemos que precisamos entender as mudanças e nos preparar para elas”.
Moacir Lellis, presidente do Sinepe-ES
Atentos
“Quero parabenizar a Rede Tribuna por esse evento, que já chega ao 16º ano. A reforma tributária é algo que aguardamos por muito tempo e para nós, da área empresarial, é importante acompanhar essas mudanças. No Brasil, as formas de fazer negócios e de administrar – tanto do ponto de vista tributário, quanto econômico – mudam rapidamente. Precisamos estar sempre atentos”.
Antônio Perovano, empresário e diretor do Vitória Futebol Clube
Aprendizado
“Participo desse evento da Rede Tribuna há muitos anos e é sempre uma boa fonte de aprendizado. Nesse momento que vive o País, discutir questão tributária é muito relevante, tanto para pessoas físicas, quanto para as empresas. Agradeço ao convite e à oportunidade de estar presente mais uma vez”.
Marcio Almeida, CEO da Bluzz Saúde
Impactos
“É importante debater a reforma tributária. Sabemos que o setor de serviços será um dos mais impactados, e isso é preocupante porque ainda existem muitas incertezas. Precisamos entender e compreender melhor as mudanças sob dois aspectos: a sustentabilidade dos nossos negócios e, de fato, como vamos cumprir a legislação. Por isso, precisamos promover esses encontros cada vez mais”.
José Carlos Bergamin, vice-presidente da Fecomércio-ES
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