Fertarié explora sensualidade e mistura de ritmos em EP
Capixaba lança EP com cinco faixas autorais que misturam afrobeat e funk em projeto produzido em parceria com paulista
Da junção do nome da grande rainha egípsia Nefertari com o da influenciadora Kylie Jenner e o da diva pop Beyoncé nasceu Fertarié, cantora que acaba de lançar o EP “SPRSNL1”.
Explorando a sensualidade e suas diversas nuances, o projeto reúne 5 faixas autorais que transitam e misturam gêneros diversos, desde as batidas pulsantes do afrobeat até o ritmo marcante do funk.
“Foi o trabalho onde eu mais me fiz presente, tanto nas composições quanto nas melodias. Trazer o funk é fazer jus a um ritmo que fez parte de toda a minha trajetória, além de definitivamente ser o meu lançamento mais maduro”, afirma a capixaba ao AT2.
Fruto de um processo de criação de dois anos, “SPRSNL1” foi totalmente gravado em Vila Velha e produzido à distância em parceria com o produtor paulista Ricieri Thales, que já trabalhou com outros nomes da cena LGBTQIA+. “Ele teve muita sensibilidade em aceitar e testar minhas ideias”.
O afrobeat “Pra Me Convencer”, que conta com a participação da cantora e rapper paulista Thatha, não só abre o álbum como também foi escolhida para ser single. “Ela cria o clima que eu busquei trazer em todo o trabalho”.
O 2º volume do projeto está previsto para ser lançado ainda este ano e traz um outro lado de Fertarié. “Curiosamente, 'SPRSNL2' foi produzido anos antes do primeiro, é solar e com um apelo mais romântico, além de que explora ritmos completamente diferentes. Os dois volumes trazem exatamente a versatilidade que busco”.
A Tribuna — Quando a Fertarié nasceu? Ela nasceu com objetivo artístico? Você se identifica como drag queen ou uma cantora trans? Desde o início a ideia era lançar músicas autorais?
Fertarié — Eu não nasci sendo Fertarié mas, ao me tornar, eu floresci, e isso me impulsionou artisticamente também. Na adolescência eu já fazia música, mas a segurança em mim mesma veio aos 18 anos, ao me identificar como travesti. Antes disso eu exercia minha musicalidade como drag queen, e hoje, como Fertarié, me enxergo como uma potência.
Desde que eu comecei na música foi com as minhas próprias composições. Eu pratico outras artes, mas na música eu pude encontrar uma forma de expressar exatamente as ideias que eu tenho e criar universos meus, que as pessoas podem acessar através das minhas músicas.
De onde vem esse nome? O que te inspirou?
Fertarié é a junção de três nomes (Nefertari, Kylie e Beyoncé). Ao realizar a retificação de nome e gênero, eu não queria algo comum, por não me enxergar como alguém comum. Queria algo que fosse somente meu e felizmente o cartório permitiu que fosse. Já a inspiração veio das figuras femininas que eu observo e me inspiram, cada uma em seu lugar dentro do meu imaginário.
Qual foi o maior desafio desse projeto?
Felizmente não houve tantos desafios na produção desse volume. Eu me permiti experimentar, nele têm músicas que foram escritas desde 2021 a músicas escritas um dia antes de serem produzidas, então eu pude desfrutar da criação sem me pressionar a algo além do que eu amo fazer.
A produção à distância não foi um problema. Eu acompanhei todas as sessões de produção, misturando ideias minhas com as do Ricieri. Diferente de outras experiências que eu já tive, nessa eu pude participar das produções de cada música, e foi incrível poder colaborar dessa forma.
Como chegou até o produtor Ricieri Thales?
Eu conheci o trabalho do Ricieri através de outros artistas LGBT em um momento onde eu precisava encontrar novos produtores para trabalhar. E foi um acerto em cheio, Ricieri teve muita sensibilidade em aceitar e testar minhas ideias, algumas funcionaram, outras não, mas definitivamente fez a minha experiência com esse projeto ser maravilhosa.
Ricieri trabalha com outros artistas da cena. Eu conheci ele através de uma música da cantora F4EL4 com a participação de Della Vitti, ambas cantoras trans e também tem a cantora Ariel, que eu tive o prazer de conhecer através dele.
Como se deu a parceria com a Thatha?
Eu já conhecia o trabalho da THATHA e me tornei fã dela. Durante o período da produção da música, ouvindo o instrumental, eu percebi que cabia uma participação e não pensei duas vezes: chamei ela no WhatsApp e rapidamente ela já me enviou diversas opções de versos. Eu não imagino mais a música sem a participação dela.
Pretende lançar clipe para alguma música?
Quem sabe? Eu espero que sim. Tenho muitas ideias e gostaria, sim, de expressar esse lado visual também, mas com a qualidade que essas músicas merecem.
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