Uma missa diferente a mais de 2.891 metros de altitude
Ao trocar o altar tradicional pelo Pico da Bandeira, o padre também comemorou aniversário de 53 anos com os fiéis
Padre da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, Evaldo Ferreira trocou o altar tradicional pelo alto do Pico da Bandeira, a 2.891 metros de altitude.
Além de celebrar uma missa no terceiro ponto mais alto do Brasil, que fica entre o Estado e Minas Gerais, ele também comemorou os 53 anos com um bolo surpresa levado pelos participantes da expedição.
Segundo o religioso, esta foi a segunda edição da excursão. No ano passado, ele conta que fez a subida pela primeira vez com a proposta de unir fé e montanhismo.
Desta vez, a atividade aconteceu no último sábado, dois dias depois do aniversário dele, celebrado em 10 de setembro, o que tornou a experiência ainda mais especial.
De acordo com padre Evaldo, 22 pessoas participaram da subida, a exemplo de Claudio Zonatele. O momento ganhou ainda mais significado porque o pai dele, Nilton Praça, de 77 anos, também encarou o percurso e chegou ao pico. Outros visitantes que estavam no local se aproximaram e participaram da celebração.
Padre Evaldo conta que a ideia de unir fé e montanhismo surgiu no ano passado, inspirada na história de Pier Giorgio Frassati, jovem italiano católico conhecido pela dedicação aos pobres, pela vida de oração e pela paixão pelas montanhas.
“Ele me inspirou pela história de um jovem italiano que cuidava dos pobres e gostava de subir montanhas. A partir disso, surgiu em mim esse desejo de unir a caminhada, a oração e a celebração da missa no alto do Pico da Bandeira”, detalha.
Para Evaldo, a subida ganhou um significado espiritual que vai além do esforço físico. Frassati foi canonizado pelo papa Leão 14 em 7 de setembro do ano passado.
“A verdadeira felicidade está em elevar o coração a Deus. Quanto mais alto, mais próximo de Deus. Foi esse o sentido que quisemos dar à subida: não apenas chegar ao pico, mas fazer desse caminho também um momento de reflexão, silêncio e oração”, afirma.
Sem que ele soubesse, os participantes levaram um bolo até o alto da montanha e organizaram uma surpresa, conta o padre.
“Eu não esperava. Foi muito especial comemorar meus 53 anos ali, depois de toda a subida, cercado por pessoas que estavam participando daquele momento de fé. Os parabéns no Pico da Bandeira acabaram tornando a experiência ainda mais marcante”, finaliza o padre Evaldo Ferreira.
Sentimento de gratidão, diz padre em entrevista ao jornal A Tribuna
A tribuna: O que muda quando a missa deixa uma igreja e acontece no alto do Pico da Bandeira?
Padre Evaldo Ferreira: É uma experiência completamente diferente. A subida exige esforço, silêncio e perseverança, e tudo isso acaba preparando a pessoa também por dentro. Quando chegamos ao pico e celebramos a missa, existe um sentimento de gratidão muito grande.
A tribuna: Por que o senhor decidiu unir fé e montanhismo?
Padre Evaldo Ferreira: Essa inspiração veio da história de Pier Giorgio Frassati. Ele era um jovem muito ligado à oração, ao cuidado com os pobres e também gostava de subir montanhas. Essa história me chamou muito a atenção.
A tribuna: Como foi comemorar os 53 anos durante essa experiência?
Padre Evaldo Ferreira: Foi uma surpresa muito grande. Eu não esperava que levassem um bolo até lá. Depois de toda a subida, celebrar a missa e ainda receber aquele carinho das pessoas tornou tudo muito especial.
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