Apex pede prisão preventiva do ex-presidente Fernando Cinelli
Apex Partners levou ao MPES indícios de crimes e afirma que transferências a Fernando Cinelli somam saldo líquido de R$ 27,3 milhões
A Apex Partners comunicou ao Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) indícios de possíveis crimes atribuídos a seu ex-presidente, Fernando Cinelli, e pediu a adoção de medidas cautelares, entre elas a prisão preventiva. Segundo a entidade, podem ter ocorrido crimes como apropriação indébita, uso irregular de bens e valores das empresas e lavagem de dinheiro.
Documento ao qual A Tribuna teve acesso aponta que mais de R$ 33 milhões teriam sido transferidos de empresas do grupo para contas pessoais de Cinelli.
Segundo o documento, foram analisados 348 lançamentos relacionados ao ex-presidente, realizados entre 18 de janeiro de 2022 e 3 de agosto de 2026. Consideradas exclusivamente as saídas de recursos das empresas em favor de Cinelli, o montante bruto chegou a R$ 33.242.273,84.
No mesmo período, também foram identificados R$ 5.864.529,47 transferidos por Cinelli para empresas do grupo. Descontados esses valores das saídas, o levantamento aponta saldo líquido de R$ 27.377.744,37 em transferências para o ex-presidente.
Os lançamentos foram registrados sob diferentes classificações contábeis. A apuração interna destacou operações para as quais, segundo o documento, não foram localizados contratos, atas, aprovações ou outros documentos capazes de demonstrar a origem da obrigação que justificaria a saída dos recursos.
Entre elas estão 43 lançamentos classificados como “transferência de recurso sem contrato”, cujo saldo chegou a R$ 17.235.000, consideradas também as devoluções realizadas pelo próprio ex-presidente.
O grupo aponta ainda 17 transferências realizadas após intervalos superiores a 30 dias em relação à transferência anterior. Na interpretação apresentada pela Apex, isso formaria 18 blocos temporais distintos e, em tese, 18 crimes continuados de apropriação indébita, com causa de aumento de pena. Segundo a entidade, esse enquadramento poderia resultar em pena mínima de 26 anos de reclusão.
Os indícios teriam sido descobertos pelo grupo em 5 de agosto. No dia seguinte, Cinelli foi destituído dos cargos de diretor-presidente da Apex Partners e de presidente do Conselho de Administração.
Em 13 de agosto, o grupo apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público, comunicando os possíveis crimes e solicitando a apuração. A entidade afirma que as transferências foram identificadas durante apuração interna.
Diante dos fatos relatados, a Apex pede ao Ministério Público a instauração de Procedimento Investigatório Criminal para apurar a possível ocorrência dos crimes. Caso o MP não entenda pela abertura do procedimento, a empresa solicita que seja requisitada a instauração de inquérito policial.
A entidade pediu ainda medidas como busca e apreensão, sequestro e bloqueio de bens e que o Ministério Público avalie, com urgência, formular pedido à Justiça para a decretação da prisão preventiva do ex-presidente.
Caso o Ministério Público entenda que os elementos não são suficientes para pedir a prisão preventiva, a Apex solicita outras medidas cautelares, como proibição de deixar o País, entrega de passaportes, restrições de acesso às empresas, aos sistemas e às contas do grupo e proibição de contato com pessoas que possam prestar esclarecimentos sobre os fatos.
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