Técnica de médico capixaba evita amputações e ganha o mundo
Protocolo do cirurgião vascular Eliud Duarte Junior combina terapias regenerativas e estímulo à formação de vasos para salvar membros de diabéticos.
Um protocolo desenvolvido pelo cirurgião vascular capixaba Eliud Duarte Junior para evitar amputações em pacientes diabéticos ganhou projeção internacional, sendo apresentado em congressos nos Estados Unidos, Inglaterra e China.
Unindo técnicas de terapias regenerativas e estímulo à formação de novos vasos sanguíneos, o procedimento é para pacientes em situação grave, que já têm indicação de amputação e não responderam aos tratamentos convencionais.
Na prática, a proposta, como explica Eliud, é usar recursos que ajudam o organismo a criar condições para recuperar o tecido e melhorar a chegada de sangue à região afetada.
Isso porque, em casos graves de pé diabético, diferentes problemas podem se somar. Enquanto a falta de sensibilidade nos pés faz com que o paciente não perceba uma ferida, a má circulação dificulta a recuperação dos tecidos e, quando há infecção, o quadro pode evoluir ainda mais rápido.
Uma das estratégias utilizadas é a chamada osteodistração angiogênica, que estimula o próprio organismo a formar novos vasos sanguíneos e, assim, melhorar a chegada de sangue e oxigênio ao membro comprometido.
“Esse estímulo faz com que o organismo entenda que precisa reparar aquela região e, nesse processo, ocorre a formação de novos vasos sanguíneos”.
O protocolo também utiliza terapias regenerativas com materiais retirados do próprio paciente, como medula óssea, tecido adiposo e componentes do sangue, evitando a rejeição.
Depois de preparados, esses materiais são aplicados na região comprometida e podem ser associados de acordo com as necessidades de cada paciente.
“A gente injeta o produto da medula óssea e enxerta o tecido adiposo. Fazemos essa associação de tecnologias, preparando o ambiente para que ele fique o mais adequado possível para a regeneração”, diz Eliud.
Segundo o médico, dados acompanhados pela equipe apontam uma taxa de 72% de salvamento do membro entre pacientes que já tinham indicação de amputação registrada no prontuário.
“Se eu consigo prorrogar por três anos a vida daquele membro, eu estou aumentando o tempo de vida daquele paciente. Até porque sabemos que a amputação pode antecipar a morte dessa pessoa”.
Prevenção ainda é essencial, diz especialista
Mesmo com o avanço trazido pelo protocolo, o cirurgião vascular Eliud Duarte Junior ressalta que o principal caminho para reduzir a perda de membros entre pessoas com diabetes ainda é a prevenção.
Isso porque situações aparentemente simples, como uma unha encravada, um sapato apertado, uma rachadura no pé, micose ou até um pequeno objeto dentro do calçado podem provocar feridas que evoluem para quadros graves.
“Se você orienta e educa os pacientes, principalmente na atenção primária, sobre esses cuidados preventivos, consegue evitar que muitos deles cheguem à amputação”, afirma.
Um dos fatores que favorecem esse quadro é a neuropatia diabética, uma complicação que pode provocar alterações nos nervos e reduzir a sensibilidade dos pés. Com isso, o paciente pode não perceber dor, mudanças de temperatura ou mesmo um ferimento.
“Quando você perde a sensibilidade do tato, da dor e da temperatura, pode sofrer uma lesão e simplesmente não perceber”, explica Eliud.
Por isso, o especialista orienta que pessoas com diabetes observem os pés diariamente, evitem andar descalças e fiquem atentas a alterações.
Fique por dentro
Indicação
O tratamento é voltado para pacientes com quadros graves, que já têm indicação de amputação.
Antes de entrar no protocolo, é preciso que as alternativas convencionais, como angioplastias e cirurgias para restabelecer a circulação, tenham sido esgotadas ou não sejam mais possíveis.
Avaliação do paciente
Antes do procedimento, a equipe avalia a circulação, a extensão da ferida e se o membro pode ser preservado com função, já que o objetivo não é apenas evitar a amputação, mas permitir que o paciente mantenha o máximo de mobilidade.
O protocolo
O tratamento combina diferentes técnicas para recuperar os tecidos afetados e estimular a formação de novos vasos sanguíneos na região.
Osteodistração angiogênica
É feita uma pequena abertura no osso da perna e um fragmento ósseo é movimentado lentamente para cima e para baixo por um aparelho que se assemelha a um fixador usado em cirurgias ortopédicas.
Esse estímulo desencadeia um processo natural de reparação do organismo e favorece a formação de novos vasos sanguíneos.
Com isso, a intenção é aumentar a chegada de sangue e oxigênio à região comprometida e criar melhores condições para a recuperação dos tecidos.
Terapia regenerativa
Também são utilizados materiais retirados do próprio paciente, como células da medula óssea, do tecido adiposo e componentes do sangue.
Após serem preparados, esses materiais podem ser injetados ou enxertados na região afetada.
Eles fornecem células e outras substâncias que ajudam a melhorar o ambiente da ferida, controlar inflamações e estimular os processos de reparação e regeneração dos tecidos.
Resultado
dados acompanhados pela equipe apontam uma taxa de 72% de salvamento do membro entre pacientes que já tinham indicação de amputação registrada no prontuário.
O objetivo é evitar uma amputação maior e preservar, sempre que possível, um membro funcional.
Pé diabético
O protocolo favorece pacientes com complicações graves do diabetes, como o pé diabético, em que alterações nos nervos e na circulação podem dificultar a cicatrização de feridas e aumentar o risco de infecções e amputações.
A neuropatia diabética pode fazer com que a pessoa perca parte da sensibilidade dos pés e não perceba pequenos machucados, queimaduras ou objetos dentro do calçado.
Ao mesmo tempo, problemas de circulação podem reduzir a chegada de sangue e oxigênio aos tecidos, dificultando a recuperação.
Com isso, lesões aparentemente simples, como uma rachadura, uma micose, uma unha encravada ou um ferimento provocado pelo calçado, podem evoluir para quadros mais graves.
Amputações
No Brasil, são realizadas cerca de 31 mil amputações de membros inferiores por ano somente no SUS, o equivalente a aproximadamente 85 procedimentos por dia, ou um a cada 17 minutos.
Fonte: Eliud Duarte Junior e pesquisa AT.
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