IA afeta vagas de entrada e muda perfil de quem busca 1º emprego
Automação com Inteligência Artificial reduz parte das vagas de entrada e força iniciantes a dominar tecnologia e análise de dados.
O avanço da Inteligência Artificial (IA) nas empresas começa a afetar sobretudo as oportunidades de quem busca o primeiro emprego. Um estudo recente da consultoria Gartner apontou que 22% das lideranças de Recursos Humanos já deixaram de admitir candidatos para cargos de entrada devido à automação por IA.
No Espírito Santo, especialistas avaliam que esse cenário ainda não se espalhou de forma generalizada, mas já provoca ajustes nas funções iniciais e no perfil de contratação.
Automação reduz tarefas operacionais e pressiona vagas de entrada
Segundo Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, o Estado já sente os primeiros efeitos da automação sobre atividades de base, embora sem uma substituição ampla de pessoas.
"Já percebemos esse movimento no Estado, principalmente na redução de algumas atividades operacionais e vagas de entrada. Entretanto, ainda não observamos uma substituição generalizada"
Na avaliação dele, a tecnologia assume tarefas repetitivas, o que reduz parte da demanda por funções operacionais tradicionais e pressiona quem tenta ingressar no mercado.
Empresas buscam iniciantes com domínio de tecnologia
Para Eliana Machado, CEO da Center RH, o principal impacto da IA hoje é a mudança no perfil procurado pelas empresas, e não o fim das oportunidades para iniciantes.
"Acredito que isso não significa o fim das oportunidades para iniciantes, mas aumenta a importância de desenvolver essas competências desde o início da carreira. O profissional que alia conhecimento da sua área ao domínio da tecnologia tende a se destacar cada vez mais"
Ela destaca que, já no início da trajetória profissional, cresce a exigência por habilidades digitais, capacidade analítica e familiaridade com ferramentas inteligentes.
Mais do que simplesmente eliminar postos de trabalho, o movimento predominante é a redefinição do perfil esperado desses profissionais, segundo o especialista em gestão e negócios Kleber Alves.
"Em vez de executar tarefas repetitivas, espera-se que os novos colaboradores saibam utilizar ferramentas inteligentes para analisar informações, resolver problemas e apoiar decisões"
IA se torna competência básica em diferentes áreas
A Inteligência Artificial deixou de ser exclusividade do setor de tecnologia e passou a integrar o cotidiano de áreas como finanças, saúde, indústria e agronegócio. Hoje, a IA aparece como ferramenta de trabalho em praticamente todas as áreas, ressaltou Kleber Alves, especialista em gestão, negócios e desenvolvimento organizacional.
Elcio Paulo Teixeira, da Heach RH, acrescentou que o conhecimento em IA já surge como requisito ou diferencial em funções tradicionais, ampliando a vantagem de quem domina esses recursos.
De acordo com Frederico Comério, CTO e head de IA da Intelliway, uma busca atual por vagas relacionadas à inteligência artificial já inclui posições ligadas a planejamento financeiro, recrutamento e seleção, experiência do cliente e vendas.
"Estamos caminhando para um cenário semelhante ao que aconteceu com informática: ‘saber IA’ deixará progressivamente de aparecer como uma especialização e passará a ser entendido como uma competência básica esperada de um bom profissional"
Para os especialistas, quem deseja o primeiro emprego precisará combinar conhecimento técnico da própria área com fluência em tecnologia e IA para se manter competitivo nas novas vagas de entrada.
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