Fé e ciência se complementam
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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O termo placebo vem de “placebo ebo Domino in regione vivorum”, tirado do Salmo 114:9, que significa “agradarei ao Senhor na terra dos viventes”.
Fé e ciência se enlaçam. Elas atuam como duas ferramentas diferentes, objetivando compreender a realidade e o propósito da vida.
A ciência responde ao “como” as coisas funcionam, focando no mundo natural, nos fenômenos mensuráveis e nas leis físicas. A fé responde ao “porquê” e ao sentido último da existência, lidando com valores, moralidade e propósitos espirituais.
O conhecido “Teste de São Tomé” refere-se à famosa expressão popular “ver para crer”, originada no relato bíblico, onde o apóstolo Tomé duvidou da ressurreição de Cristo, até tocar em suas chagas.
A ciência investiga a criação, enquanto a fé busca o Criador. Não conseguimos ver o ar, porque se conseguíssemos, não veríamos mais nada. Se pudéssemos ver o ar, viveríamos em uma densa névoa. Não conseguimos ver o ar porque é a sua invisibilidade que torna visíveis as outras coisas.
Ciência e espiritualidade são expressões complementares da necessidade humana de abraçar o mistério e explorar o desconhecido. Ambas fincam suas bases na filosofia, a mãe de todas as ciências, aquela que prega o amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo indivíduo consciente de sua própria ignorância.
O ser humano sempre buscou uma aproximação entre a ciência e a religião. Medicina, astronomia e matemática, eram exercidas com grande importância para a religião. A humanidade sempre conviveu com a crença nos deuses, nas orações, nas ervas, nos curandeiros, evidenciando que a interação entre a fé em uma religiosidade e a medicina, sempre foi vista entre as mais diversas culturas.
A fé do paciente em si mesmo, no médico, na disposição favorável dos deuses e na piedade de Jesus, mostra que acreditar é motivo suficiente para muitas curas.
A ciência aponta que a fé é o resultado da interconexão de diversas regiões cerebrais. Rezas e orações repetidas diminuem os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração, baixam a pressão sanguínea e reduzem a velocidade das ondas cerebrais. Há evidências que a medicina geral, a psiquiatria, a psicologia e a imunologia, se propõem a respeitar a importância da fé e das crenças, religiosas ou não, do paciente, na evolução de sua doença.
Médicos e pacientes afirmam ser a fé responsável pelos resultados positivos obtidos nos tratamentos com placebos.
Por outro lado, o surgimento de crenças variadas vem preocupando, pelo abuso e manipulação das emoções do indivíduo, levando ao radicalismo e abandono dos tratamentos médicos, confiando apenas nas falsas promessas de cura.
O bom senso mostra que a fé e a ciência podem se relacionar e se completar. Não importa a religião, e sim a fé de cada pessoa. Um milagre é algo impossível, que mesmo assim acontece.
Segue, o ser humano, em direção das suas metas. Enquanto isso, a ciência converte e a fé batiza. Viver é como sonhar dentro de um sonho.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.