Conexão Copa 2026: Quando Romário foi para a torcida, em Miami
Há cenas que ajudam a explicar uma Copa do Mundo muito mais do que os 90 minutos
Em Miami, Romário deixou de ser, por alguns minutos, o camisa 11 do tetra para voltar a ser apenas mais um torcedor da Seleção Brasileira. No meio da Torcida Canarinho, cantou, tirou fotos e entrou na roda como qualquer outro brasileiro que estava ali para empurrar o time.
O momento mais curioso veio quando a torcida começou a cantar a música que homenageia os cinco títulos mundiais da Seleção e alguns dos maiores jogadores da nossa história. Quando chegou o verso dedicado ao tetracampeonato de 1994, o próprio Romário estava ali, cantando junto. Uma cena espontânea, impossível de ser combinada, e que resume bem o clima vivido pelos brasileiros em Miami.
A casa do fenômeno
Se Romário foi para a torcida, Ronaldo Fenômeno abriu as portas de casa.
Durante a Copa, o ex-jogador montou, em Miami, um espaço para receber amigos, convidados, ex-atletas, jornalistas e torcedores. O local rapidamente virou um dos pontos de encontro mais concorridos do Mundial.
Além dos eventos, o espaço abriga um verdadeiro museu dedicado à carreira do Fenômeno. Estão lá a chuteira utilizada na conquista do pentacampeonato, no Japão, as duas Bolas de Ouro, camisas históricas e diversos objetos que ajudam a contar a trajetória de um dos maiores atacantes da história do futebol.
E, como se isso não bastasse, quem comanda a roda de samba é Edílson Capetinha, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002. E que roda de samba!
O bruxo continua o mesmo
Ronaldinho Gaúcho continua provocando a mesma reação por onde passa.
Na última partida da Seleção, enquanto caminhava para a cabine de imprensa, um tumulto chamou minha atenção próximo aos elevadores do estádio. Quando olhei para entender o que estava acontecendo, lá estava o Bruxo, cercado por produtores e seguranças.
Mesmo assim, encontrou tempo para acenar, sorrir e cumprimentar quem o chamava. Ao passar por mim e por outros jornalistas, resumiu a expectativa para a partida em poucas palavras: "Hoje vamos com tudo."
Pouco antes de a bola rolar, Ronaldinho foi para a saída do túnel que dá acesso ao gramado. Todos os jogadores da Seleção pararam para cumprimentá-lo. Todos.
O abraço mais demorado foi com Neymar. Quando a imagem apareceu no telão, a resposta veio imediatamente das arquibancadas.
Tecnologia nas ruas
Nem só de futebol vive esta Copa.
Pelas ruas dos Estados Unidos, uma cena chama a atenção de quem chega ao país: robôs fazem entregas pelas calçadas enquanto carros circulam sem motorista em algumas regiões.
São imagens que, para nós, ainda parecem coisa de filme, mas que fazem parte da rotina de muitas cidades americanas.
A conta continua
Na coluna passada falei dos custos elevados para acompanhar a Seleção de perto. Nos últimos dias, outro exemplo chamou a atenção.
Um voo entre Miami e Houston, que normalmente custava cerca de US$ 300, chegou a US$ 1.100 por causa da movimentação da Copa. Na cotação atual, algo próximo de R$ 6 mil.
A cada deslocamento da Seleção, fica ainda mais evidente que acompanhar o Brasil de perto é uma experiência para poucos.
Outro clima
A vitória sobre a Escócia mudou o ambiente da Seleção.
O reflexo apareceu já no primeiro treino. Jogadores mais sorridentes, comissão técnica mais descontraída e um grupo muito mais leve. Até a rotina da imprensa ficou diferente. As duas primeiras apresentações haviam deixado muitas dúvidas. A atuação convincente devolveu confiança ao grupo.
Nesta segunda, aqui em Houston, diante do Japão, a Seleção terá a oportunidade de mostrar que a evolução vista na última partida não foi apenas um bom momento. Se repetir o desempenho, dará mais um passo na caminhada em busca do hexacampeonato.
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