Empresários reclamam e exigem melhorias imediatas na BR-262
Lentidão, buracos e risco de acidentes na rodovia são relatados pelo setor produtivo. Queixa é de que a situação da BR prejudica o desenvolvimento
Lentidão, falta de segurança, limitação de capacidade, custos altos e acidentes são alguns dos problemas citados por empresários do Estado quando o assunto é a BR-262.
Representantes de diversos segmentos da economia capixaba relatam a necessidade de melhorias na rodovia e aguardam com expectativa o edital anunciado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) para os próximos dias, visando contratar empresa para realizar obras no trecho entre Conceição de Castelo e Viana.
“Acredito que não exista nenhum investimento mais importante no Estado neste momento”, disse o empresário do ramo turístico Marco Azevedo. “É um grande gargalo para atingirmos o grau de desenvolvimento que precisamos. Os setores de turismo e logística são dependentes dessa via e as obras de duplicação impulsionariam ambos os segmentos”, completa.
Empresária do setor de turismo e gastronomia em Guarapari, na chamada Rota da Ferradura, Lara Gomes Costa avalia que a duplicação é o ponto principal das melhorias, já que é o grande problema da BR-262. “Creio que irá reduzir a lentidão, o que beneficiará diretamente o turismo e a logística.”
Conforme explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos, o turismo capixaba é essencialmente rodoviário, com Minas Gerais sendo o principal “mercado emissor de turistas”.
“Por isso, quando a rodovia é como a BR-262 atual, que tem pista simples em trechos críticos, buracos, sinalização deficiente, lentidão e insegurança, o impacto chega diretamente ao turista e ao empresariado. Para o turismo, a experiência de viagem conta muito. Ninguém quer sair para descansar e passar mais tempo preocupado na estrada do que aproveitando o destino.”
Arno Wieringa, presidente da Associação Turística de Pedra Azul, detalha que a duplicação da BR-262 irá reduzir em mais que a metade o tempo do trajeto entre a região das Montanhas do Estado e Vitória, que dura em torno de duas a três horas.
“É bom lembrar que o setor agrícola também será favorecido, já que haverá uma possibilidade ainda maior de escoamento da produção com uma rodovia mais moderna”, acrescenta.
Entenda
Histórico
4.240 acidentes de trânsito, foram registrados entre 2023 e agosto de 2025, na Região Serrana do Estado, onde a BR-262 está inserida, segundo dados do Observatório de Trânsito do Espírito Santo.
Desses, 226 resultaram em morte, sendo que 58 deles foram na BR-262 – o maior índice das três principais rodovias da região, que inclui a ES-165, que teve 24 mortes, e a ES-164, que teve 15 mortes.
A maioria das mortes ocorreu em Domingos Martins (50 casos), o tipo de ocorrência mais frequente dos acidentes é a colisão (120 casos), seguida de tombamentos (42), choques (30) e atropelamentos de pedestres (18).
Problema é antigo
Ao conferirmos dados anteriores a 2023, fica evidente que o problema na BR-262 não é recente.
Dez anos atrás, por exemplo, o Anuário do Detran-ES mostrava que o trecho da BR-262 no Estado teve 676 acidentes naquele ano, ao ponto de o trecho em Viana ter sido eleito o 13º mais perigoso de todas as rodovias do Brasil, por ter tido 53 acidentes graves e 2 mortes. Além disso, naquele ano, um acidente no trecho de Muniz Freire chegou a matar 10 pessoas.
Em 2004, por exemplo, um estudo do Ipea listava a BR-262 como a quinta rodovia com mais acidentes no País: 3.661 somente naquele ano, sendo 169 mortes. E a maior parte dos acidentes sequer envolvia caminhões: apenas 1.364 envolviam esse tipo de veículo.
Governo estadual contribui
De acordo com o subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Celso Guerra, a BR-262 forma, com a BR-101, os principais eixos rodoviários de carga do Espírito Santo, conectando as direções oeste-leste e norte-sul.
Ele acrescenta que o governo estadual tem priorizado a duplicação da BR-262 e articulado em parceria com o Ministério dos Transportes para viabilizá-la, dado o papel adicional relevante para o turismo interestadual.
O DNIT anunciou neste mês que o edital de leilão para a primeira etapa da duplicação – o trecho Viana-Conceição de Castelo – está previsto para junho. O governo estadual vai aportar cerca de um terço do investimento.
“Por ser uma rodovia federal, o Estado opera com restrições formais nas definições do projeto, mas mantém engajamento ativo na viabilização dos investimentos e parcerias necessárias. A duplicação e qualificação da BR-262 são condições estruturantes para o desenvolvimento capixaba”, afirma Guerra.
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