A Copa do agro já é nossa
Em ano de Mundial, o país também disputa uma competição diária: produção em escala, mercados externos e a força do café
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Em época de Copa, o Brasil volta a fazer conta de grupo, saldo de gols, cruzamento de tabela e promessa de hexa. A bola ainda vai rolar muito até alguém levantar a taça. Mas existe uma outra disputa, menos barulhenta e muito mais diária, em que o Brasil já entra em campo com camisa pesada. O agronegócio.
Essa Copa, podemos dizer sem medo, já é nossa.
Não por oba-oba. Nem por discurso patriótico embalado em época de bandeira na janela. O Brasil virou potência porque aprendeu a produzir em escala, com ciência, risco, trabalho e capacidade de abastecer diferentes mercados ao mesmo tempo. Soja, milho, carnes, açúcar, celulose, frutas, café. Cada cadeia tem seu jogo, seu adversário, sua regra e sua pressão. Mesmo assim, o país segue na parte de cima da tabela.
Quando olhamos para os números, vemos que nossa disputa é sempre de alto escalão. O agronegócio respondeu por quase metade das exportações brasileiras em 2025, com mais de US$ 169 bilhões vendidos ao exterior. Isso significa estrada cheia, porto operando, cooperativa negociando, indústria processando, produtor tomando decisão antes do sol nascer. Significa dólar entrando, emprego girando e renda chegando a cidades que muitas vezes não aparecem no mapa das grandes manchetes.
E tem o café, nosso velho conhecido.
O café talvez seja uma das seleções mais tradicionais desse campeonato. O Brasil continua sendo o maior produtor e exportador do mundo, e a safra de 2026 pode ser uma das maiores da série. É muita coisa. Mas quem vive o café sabe que nenhuma saca nasce pronta. Tem clima, custo, mão de obra, praga, irrigação, preço, financiamento e mercado externo olhando cada detalhe.
É aí que o Espírito Santo merece entrar na escalação.
Nosso Estado pode não ter o tamanho territorial dos gigantes do Centro-Oeste, mas aprendeu a jogar com inteligência. No conilon, o Espírito Santo tem peso de protagonista. A produtividade subiu porque houve tecnologia, pesquisa, manejo, irrigação, viveiro bem feito, assistência técnica e produtor disposto a mudar prática antiga quando a lavoura pedia outro caminho. O resultado aparece na xícara, no porto e na renda de milhares de famílias.
Essa é uma parte bonita do agro capixaba, ele tem cara de gente. Tem pequena propriedade, família trabalhando junto, cooperativa, secador ligado, caminhão na estrada, comércio local vendendo mais quando a safra vai bem. Quando o café anda, muita coisa anda junto. Claro que o jogo segue duro. Clima instável, juros altos, logística cara, exigências ambientais, seguro rural insuficiente e consumidores cada vez mais atentos fazem parte da partida. Ser potência não libera ninguém de jogar bem no próximo domingo. Pelo contrário, aumenta a cobrança.
Enquanto esperamos o apito final nos estádios, o agro brasileiro segue levantando sua taça todos os dias. No campo, no porto, no prato e no café que acompanha a nossa manhã.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães