A hora H
Comentários sobre o futebol, os clubes e os craques do esporte mais popular do planeta
Gilmar Ferreira
Gilmar Ferreira é jornalista esportivo com passagem por veículos como O Dia, Jornal do Brasil, Lance! e Extra. Reconhecido por sua apuração e análises sobre futebol, foi também comentarista da Rádio Globo. Atualmente, é colunista do jornal Tribuna e do Tribuna Online, onde escreve sobre clubes, bastidores e o cenário do futebol brasileiro.
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O tempo e os confrontos que sucederam a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo mostraram a Ancelotti que a fraca atuação do time no 1 a 1 com Marrocos foi menos ruim do que ele próprio havia enxergado. Foram feitas ponderações sobre as circunstâncias do jogo e, ao que tudo indica, a insatisfação inicial deu vez e a convicção de que será possível ajustar o time sem muitas alterações. Assim, a principal mudança para o jogo contra o Haiti, nesta sexta-feira (19), na Filadélfia, será mesmo na postura.
Em princípio, Danilo entrará no lugar de Ibañez na lateral-direita e o esquema ofensivo desta vez terá um “nove” mais móvel. Sendo assim, o mais provável é mesmo a presença de Matheus Cunha na vaga de Igor Thiago, compondo o ataque com Paquetá, Bruno Guimarães, Vinicius Júnior e Raphinha.
O que não elimina a preocupação com a queda no rendimento físico de Casemiro e o olhar criterioso sobre a baixa produção de Paquetá na estreia. Fabinho e Danilo Santos deverão ser acionados novamente.
Os estudos sobre o futebol exibido pelo Haiti tanto no amistoso com o Peru (derrota por 2 a 1) quanto na estreia contra a Escócia (derrota por 1 a 0) indicam que o time brasileiro precisará ser mais compacto na recomposição defensiva e mais associativo na produção ofensiva.
Casemiro receberá um pouco mais de proteção com a presença de entrada de Danilo na lateral e a ideia de ter Cunha no corredor central é também para fechar espaços por onde nasceu o gol de Marrocos.
Não é fácil aceitar o fato de a Seleção Brasileira estar preocupada com o jogo coletivo do Haiti, mas é uma realidade ilustrada com exemplos vividos neste próprio Mundial. O principal deles, claro, é o empate da favorita seleção da Espanha com Cabo Verde. Mas o 1 a 1 de Portugal com a República Democrática do Congo serve também na construção da narrativa cautelosa.
E não me parece justo esperar que Ancelotti tenha as soluções antes de se deparar com os problemas que hoje gritam nos nossos ouvidos.
Depois de um ciclo de Copa do Mundo mal planejado pela CBF de Ednaldo Rodrigues e tão acidentado por fatalidades, como as contusões de Éder Militão, Rodrygo, Estevão e agora Wesley, o que se espera do trabalho de Ancelotti é que ele construa um sistema que garanta um mínimo de competitividade à seleção. Porque se houver jogo coletivo, o talento brasileiro precisará fazer a diferença na “hora H”.
Trunfo e positividade
Neymar está apto para voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira e fará isso na próxima quarta-feira (24), ficando no banco de reservas para a partida contra a Escócia, ela terceira rodada do Grupo C.
A entrega ao protocolo de saúde e o empenho no trabalho de “reequilíbrio muscular” têm merecido elogios das principais lideranças. O craque já não sente dores e intensifica agora a dinâmica dos movimentos.
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