O labirinto do varejo e o vilão de estimação
Mudança nas alíquotas para compras de até US$ 50 gera reação no mercado; artigo defende isonomia com desoneração e unificação do ICMS
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Na última semana, o ecossistema do varejo nacional foi sacudido por mais um capítulo da novela tributária que envolve as plataformas internacionais de e-commerce.
A canetada que mexeu nas alíquotas federais para compras de até US$ 50 — apelidada jocosamente de “taxa das blusinhas” — gerou o previsível efeito dominó: ações de gigantes brasileiras despencando na Bolsa, CEOs em pé de guerra e associações industriais soltando notas de repúdio.
De um lado, o populismo de medidas que flertam com o calendário eleitoral busca agradar o bolso imediato do consumidor. Do outro, plataformas asiáticas celebram o que chamam de "vitória do livre mercado".
Mas, no meio desse fogo cruzado, há um personagem sistematicamente ignorado, ou pior, criminalizado: o empresário brasileiro.
Existe uma miopia crônica na gestão pública que insiste em enxergar o gerador de empregos local como o vilão da história.
Se o varejo nacional clama por isonomia, a resposta do sistema não deveria ser o protecionismo cego ou o sufocamento do consumo externo, mas sim a descentralização do peso que carrega nas costas.
Por que, em vez de criar barreiras para o que vem de fora, não derrubamos as âncoras de quem produz por aqui?
Uma análise inteligente e de vanguarda exigiria olhar para o óbvio: a redução e a unificação do ICMS interestadual. Se o varejo brasileiro recebesse um incentivo real na desoneração tributária dos seus estados, a competitividade contra os produtos chineses não seria uma guerra de liminares e MPs, mas sim de eficiência e mercado.
Reduzir o ICMS é dar oxigênio para a indústria têxtil nacional, para a logística local e para o comércio de rua. O consumidor tem todo o direito de buscar o menor preço e a melhor experiência global.
O erro crasso não está na Shein ou na Temu entregarem o que prometem; o erro está em um sistema que pune quem decide abrir uma loja, assinar carteiras de trabalho e pagar impostos em solo brasileiro.
O mercado precisa acelerar em ambas as direções. Precisamos da agilidade digital e do acesso global que o e-commerce internacional trouxe, sim. Mas, acima de tudo, precisamos parar de tratar a sobrevivência das nossas empresas como um detalhe incômodo.
Incentivar o empresário local com desoneração real não é favor; é o único caminho sustentável para o desenvolvimento econômico. Caso contrário, continuaremos assistindo ao varejo nacional sangrar em praça pública, sacrificado no altar do oportunismo político.
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