Uma Vila, um Velho Capitão injustiçado
Produtor cultural fala sobre questiona versão de que Vasco Fernandes Coutinho teria sido “fracassado”
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“Vitória, nossa capital, consagrada a S. Mauricio e a Nossa Senhora, nunca foi tomada por franceses, ingleses e holandeses, pela coragem de sua população constituída de mulheres como Maria Ortiz, indígenas como Arariboia e Maracajaguaçu, negros, caboclos, cafuzos e mamelucos antepassados, O Espirito Santo continua injustiçado pelo desconhecimento do resto do país e pelas inverdades histórias. É hora de mudar essas narrativas e de fazer justiça a quem de direito” - escreve o mestre professor Francisco Aurélio Ribeiro no seu excelente livro/documento histórico Personagens e Fatos Históricos Capixabas – editora Calêndula – 2025.
Muitos historiadores afirmam, e eu divirjo, que o donatário Vasco Fernandes Coutinho morreu pobre e abandonado, e lhe faltou um simples lençol para cobrir o seu corpo. Esquecem os que mantem essa versão que não havia necessidade de lençol algum, o calor tropical era muito grande para o fidalgo europeu, e com certeza ele aprendera com os índios dormir em redes. Uma versão muitas vezes repetidas acaba virando verdade. E depois para se desmentir, passados séculos, fica muito difícil. Algumas vezes até impossível. Mas assim é a história ou estória da maioria dos fatos e personagens históricas.
Concordo com os historiadores sérios, que Vasco Fernandes Coutinho foi mais um injustiçado da história oficial. Essa versão cai por terra quando questionamos: se o donatário Vasco Coutinho iniciou aqui a construção de uma extensão do império português, que deu o nome de Espirito Santo, e mais, ficou no poder da sua família e herdeiros por 140 anos, não pode ter sido um incompetente. Como um homem de desafios e batalhas solicitou ao rei D. João II uma capitania para administrar no Brasil, que foi a decima primeira das quinze capitanias criadas.
Todos os demais donatários passavam por terríveis problemas até 1548. Por que só Vasco Coutinho levou a fama de “desastrado, infeliz, miserável, fracassado”? Ao contrário da maioria dos donatários, ele manteve a posse e a autonomia de sua Capitania, que se tornou Província e Estado com o mesmo nome Espirito Santo, enquanto outras desapareceram ou se tornaram, apenas, cidades. A família dos Coutinho manteve a Capitania do Espirito Santo em seu poder de 1535 a 1675, por 140 anos.
A terceira cidade mais antiga do Brasil, Vila Velha, celebra nesse 23 de maio 491 anos, o dia da chegada de Vasco Fernandes Coutinho em 1535, ao litoral de sua capitania, doada pelo rei em 1º de junho do ano anterior. Temos sim que rememorar as conquistas desse injustiçado Velho Capitão, na Vila do Spiritus Sanctus, primeiro nome dado às terras capixabas naquele ensolarado domingo de outono de Pentecostes.
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