Trabalho em família: IBGE mostra que auxiliares cumprem 28h semanais sem salário
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios aponta que essa categoria atua em comércios e na agricultura sem remuneração em dinheiro
Com informações de Bruno Freitas, da Agência Brasil
O mercado de trabalho no Brasil abriga uma parcela de profissionais que cumpre uma jornada média de 28,8 horas por semana sem receber nenhum pagamento em dinheiro. Classificados como “trabalhadores auxiliares familiares” pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eles atuam ajudando parentes em negócios próprios, comércios de bairro ou em atividades agrícolas.
Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, referente ao primeiro trimestre de 2026, divulgada pelo instituto e analisada pela Agência Brasil. No outro extremo do mesmo levantamento, o estudo revela que os trabalhadores por conta própria — categoria que inclui autônomos e microempreendedores individuais (MEI) — são os que têm as maiores jornadas do país, com média de 45 horas por semana.
A carga horária dos autônomos supera em mais de cinco horas o tempo dedicado pelos empregados do setor público e da iniciativa privada. Enquanto a média geral de todos os ocupados no país ficou em 39,2 horas semanais, os empregadores registraram a menor média, com 37,6 horas. Atualmente, o Brasil contabiliza 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, o equivalente a 25,5% da população ocupada.
O papel das proteções trabalhistas
O analista da pesquisa, William Kratochwill, assinala que os profissionais classificados como empregados não ultrapassam, na média, os limites máximos de jornada por causa de proteções trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a jornada máxima semanal é de 44 horas.
“Mesmo que o trabalhador não seja formalizado, há uma tendência do mercado de seguir o padrão da lei”, diz Kratochwill.
O cenário muda para quem atua por conta própria, pois não há impedimento legal para a extensão das horas de serviço nas vias ou nos estabelecimentos.
“Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação”, destaca o analista.
Delegação de funções
De acordo com o pesquisador, os empregadores conseguem manter uma média de horas inferior à dos empregados pelo fato de possuírem funcionários para dividir a rotina do negócio.
“Tem pessoas que trabalham para ele. Talvez seja isso que estabeleça uma média de horas trabalhadas inferior à do empregado”, sugere.
Para o trabalhador por conta própria, no entanto, a estrutura do empreendimento não permite o repasse das demandas diárias.
“Como não tem a quem delegar, provavelmente tem que trabalhar muito mais horas por semana para alcançar seus objetivos”, conclui Kratochwill.
Debate nacional
As informações sobre o mercado de trabalho surgem em meio ao debate no Congresso Nacional sobre a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso).
Nesta semana, representantes do governo federal e da Câmara dos Deputados firmaram um acordo para avançar com propostas que estabeleçam a escala 5x2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso) sem redução salarial. Duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei do Executivo tratam do tema no parlamento.
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