TJPE apura crimes contra a Justiça após advogada arrastar servidor em capô de carro
Tribunal garante "persecução penal" após resistência a mandado de busca e apreensão em Caruaru; vídeo mostra vítima sobre o veículo em movimento
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O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) anunciou que vai apurar com rigor a conduta de uma advogada que resistiu a uma ordem judicial e fugiu arrastando um homem sobre o capô do carro, em Caruaru, no Agreste. Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (30), o órgão afirmou que os fatos estão sob análise para a "devida persecução penal de eventuais crimes contra a administração da justiça" e contra a integridade física de servidores.
O incidente ocorreu na última terça-feira (28), no bairro do Salgado. O oficial de justiça Marcones Alves Feliciano e o fiel depositário Rodolfo Morais de Gusmão tentavam cumprir um mandado de busca e apreensão do veículo de Fernanda Ferreira de Souza. Segundo o Sindicato dos Oficiais de Justiça (Sindojus-PE), a advogada teria avançado com o carro após receber a notificação, obrigando Rodolfo a se segurar no capô para não ser atropelado.
Acompanhamento tático e ferimentos
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo branco foge com o homem pendurado, seguido por uma viatura da Polícia Civil que passava pelo local e iniciou um acompanhamento tático. Segundo a delegada Natália Araújo, as vítimas sofreram ferimentos leves e abalo psicológico. O veículo foi apreendido, mas a advogada não foi localizada pelas equipes policiais no dia do ocorrido.
O TJPE reforçou que os oficiais de justiça são agentes públicos essenciais e que as decisões judiciais devem ser respeitadas. A nota do tribunal enfatiza que a análise do caso considera o boletim de ocorrência e a certidão lavrada pelo oficial de justiça, garantindo o devido processo legal para a investigação das circunstâncias da evasão.
Versões em conflito
Em nota de esclarecimento, Fernanda Ferreira de Souza negou que estivesse foragida e afirmou que não recebeu a leitura de qualquer notificação judicial. A defesa da advogada sustenta que o homem envolvido na abordagem não se identificou como agente público.
De acordo com a nota, a advogada acreditou estar diante de uma tentativa de assalto e, por segurança, engatou a marcha ré, momento em que o indivíduo teria pulado sobre o veículo.
O inquérito policial segue em andamento na Delegacia da 89ª Circunscrição de Caruaru. O caso agora ganha desdobramentos na esfera administrativa do Judiciário, que promete rigor na apuração do ataque à função pública do oficial de justiça.
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