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TRIBUNA LIVRE

Sobre a história do câncer

Livro une ciência e narrativa ao contar a história do câncer

Adréia Delmaschio | 29/04/2026, 12:46 h | Atualizado em 29/04/2026, 12:46
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          Imagem ilustrativa da imagem Sobre a história do câncer
Adréia Delmaschio é escritora, pesquisadora e professora titular de Literatura no Ifes |  Foto: Divulgação

No livro O imperador de todos os males: uma biografia do câncer, o médico indiano Siddharta Mukherjee narra a longa história da doença que hoje é a segunda maior responsável pelo número de mortes, logo atrás das enfermidades do coração.

Formado em Biologia e Imunologia, com especialização em Oncologia, o autor enfrenta um duplo desafio: primeiro, traça o percurso milenar do câncer desde o antigo Egito, quando os traços da doença ainda não haviam sido agrupados num conjunto sintomatológico e nem recebido um nome, chegando até a atual situação científica de diagnóstico e tratamento das diversas tipologias da doença.

Nas 634 páginas desse livro, profissionais da área médica e afins, dediquem-se ou não à Oncologia, colherão um conjunto de informações precioso, organizado e coeso, tratado com honestidade intelectual, respeito pelo método e pelas fontes de pesquisa, traços indispensáveis a um intelectual investido da tarefa de pesquisador histórico-científico.

O segundo desafio do doutor Mukherjee é contar essa história (cujo protagonista assusta muita gente) de modo que queiramos ler até o final. E ele consegue. Ora mostrando grande empatia com pacientes reais, ora assumidamente criando personagens, ele expõe a batalha de pesquisadores, médicos e pacientes como quem narra um romance, acompanhando trajetórias de vida envoltas em vitórias e derrotas individuais e coletivas. Para isso, cria um narrador suficientemente envolvido com o drama e as tramas dessas histórias, a ponto de envolver também o leitor no investimento científico e afetivo que ele mesmo faz na saúde dos que estão sob os seus cuidados.

Nessa longa tese narrativa, enquanto aprendemos sobre genética e citologia, somos levados a considerar a miséria do capital conectado ao mercado farmacológico e ainda torcemos pela mãe portadora de leucemia que teme deixar desamparados os filhos pequenos. A um tempo em que acompanhamos a série de avanços e recuos na história dos diagnósticos e tratamentos, viajamos, por exemplo, na biografia ficcionalizada de “Atossa, a rainha persa que provavelmente tinha câncer de mama em 500aC”.

A equação final é equilibrada: numa atitude típica dos profissionais que lidam com doenças graves, o escritor oncologista não cria falsas expectativas, mas também não deixa faltar a sua palavra de fé no futuro da ciência: “É possível que estejamos fatalmente unidos a essa doença antiga, forçados a jogar com ela o seu jogo de gato e rato (...) Mas, se a morte por câncer puder ser evitada antes da velhice, então talvez passemos a ver essa doença com outros olhos. Em vista do que sabemos sobre o câncer, mesmo esse modesto objetivo representaria uma vitória tecnológica sem paralelo em nossa história. Seria uma vitória sobre a nossa inevitabilidade – uma vitória sobre o nosso genoma.” Médicos com esse empenho e textos com essa qualidade nos fazem admirar um pouco mais a medicina.

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