Coren vai acompanhar caso de paciente que recebeu dose excessiva de medicamento
Funcionário do Hospital Estadual de Urgência e Emergência, que levou justa causa, teria dado dose excessiva de medicação ao paciente
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O lavrador Gilberto Aurich está na UTI sedado, segundo o irmão Alexandre Aurich, 44. “Os médicos chamaram para assinar a autorização da traqueostomia. A febre diminuiu, a função dos rins melhorou, mas não tem previsão de alta”.
A mãe do lavrador, Hilda Tressman, 64, passou por uma cirurgia cardíaca em janeiro. Ela conta que Gilberto é quem cuidava dela.
“Meu filho trabalha de sol a sol. Ele me ajudava a andar. Agora estou com cuidadora. Ele cuida da plantação de café e banana, me ajuda na roça, não sei o que vamos fazer. Que ele saia logo do hospital, onde foi para se tratar.”
Um enfermeiro que atuava no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) foi demitido por justa causa após o paciente ir parar na UTI. A demissão foi informada, na terça-feira (21), pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
As informações foram divulgadas em primeira mão pela reportagem da TV Tribuna/Band. Segundo o advogado Leandro Sarnaglia, que representa o lavrador Gilberto Aurich e sua família, o enfermeiro teria utilizado indevidamente as credenciais de acesso (senha) de um médico para ministrar ao paciente medicação sedativa em dose excessiva e incompatível com seu quadro clínico.
“Em decorrência direta desse evento, no dia 10, Gilberto Aurich sofreu parada cardiorrespiratória com duração aproximada de 12 minutos, sendo necessária reanimação com uso de desfibrilador. Desde então, o paciente encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em coma”, informou o advogado.
Leandro Sarnaglia afirmou que, segundo informações obtidas junto a profissional da própria instituição hospitalar, teria ocorrido uma falha na administração do medicamento.
Por meio de nota, a Sesa informou que o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) adotou as seguintes providências diante do caso: a notificação foi realizada junto ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e ao Conselho Regional de Medicina (CRM), conforme os protocolos estabelecidos; o profissional de enfermagem foi demitido por justa causa e foi instaurado o protocolo para comunicação com a família do paciente.
Além disso, foi aberta uma “notícia de fato” à Polícia Civil pelo setor jurídico da Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes); e a investigação sobre o ocorrido segue em andamento, com o evento devidamente registrado.
“A Secretaria destaca que atua com segurança e respeito aos direitos dos pacientes e seus familiares, além de garantir a condução das investigações de forma criteriosa e conforme a legislação vigente”, destacou a Sesa por meio da nota.
Conselho Regional vai apurar o caso
O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-ES) informou que adotará as medidas necessárias para apurar os fatos. Caso sejam identificadas irregularidades na assistência, poderá ser instaurado procedimento administrativo.
O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) informou que não se manifesta sobre casos concretos, a não ser nos autos. “Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça”.
Entenda
Internado por quebrar mandíbula
Acidente doméstico
No dia 4 deste mês, o lavrador Gilberto Aurich, de 30 anos, morador de Itaguaçu, no Noroeste do Espírito Santo, sofreu acidente doméstico, com fratura mandibular diagnosticada clinicamente.
Ele foi encaminhado por médica assistente e deu entrada no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, cerca de quatro dias depois, onde foi informado de que seria submetido a procedimento cirúrgico.
Ansiedade
O procedimento, contudo, não chegou a ser realizado, permanecendo o paciente internado em estado de espera por vários dias. Durante a internação, diante de quadro de abstinência e elevada ansiedade, o paciente necessitou de medicação sedativa, disse o advogado Leandro Sarnaglia.
Enfermeiro
Segundo o advogado, o enfermeiro teria utilizado indevidamente as credenciais de acesso (senha) de um médico para ministrar ao paciente medicação sedativa em dose excessiva e incompatível com seu quadro clínico.
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