IA já reduz emprego e renda dos jovens
Pesquisa aponta menos portas de entrada no mercado e queda nos ganhos para quem está começando em funções mais expostas
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O avanço da Inteligência Artificial (IA) generativa já está reduzindo oportunidades de emprego e a renda de jovens, especialmente daqueles que atuam em áreas mais suscetíveis ao uso intensivo dessa tecnologia.
Essa conclusão vem de um estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, com base em dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a pesquisa, profissionais entre 18 e 29 anos inseridos em ocupações com maior exposição à IA passaram a ter uma probabilidade de emprego cerca de 5% inferior em comparação ao período anterior à popularização dessas ferramentas.
Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, pouco antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não.
Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.
“O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA”, afirmou Duque.
Muitas empresas estão reduzindo posições ligadas a tarefas repetitivas, à medida que a IA automatiza essas funções. “O impacto líquido no emprego é misto: a tecnologia também tende a criar novos papéis e demandas por habilidades mais avançadas”, avaliou Frederico Comério, CTO e Head de Inteligência Artificial na Intelliway Tecnologia.
As exigências feitas aos profissionais vão muito além do domínio técnico de ferramentas digitais, segundo Geferson Santos, diretor regional do Senai-ES.
O diferencial competitivo não está apenas no conhecimento tecnológico em si, mas na capacidade de combiná-lo com soft skills, como comunicação, adaptabilidade e pensamento crítico. Essas competências tornam-se fundamentais em um ambiente de trabalho cada vez mais dinâmico e orientado por dados, destacou Santos.
Saiba mais
30 milhões no País têm exposição à IA
A pesquisa
Trabalhadores de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-Inteligência Artificial.
A IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.
O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais. A renda desses trabalhadores mais expostos foi quase 7% menor.
Exposição
Quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.
Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços.
É estimado que 30,5% da população ocupada com trabalho no País possa ser afetada de alguma maneira pela Inteligência Artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas.
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