Google, Facebook e uma virada bilionária histórica
Pela primeira vez, Google deve ser ultrapassado no faturamento global
Luciano Rangel
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Pela primeira vez, a Meta, de Mark Zuckerberg, irá ultrapassar o Google no faturamento mundial de publicidade: 243 bilhões de dólares contra 239 bilhões de dólares, segundo estimativas para 2026 divulgadas recentemente pela eMarketer. Mesmo que analistas avaliem que esse resultado pode ser pontual e talvez transitório, trata-se de um feito com significados importantes na corrida das big techs por fatias de receita do mercado global.
Se algo parecia indestrutível era a liderança da gigante do Vale do Silício em todos os aspectos ligados a buscas e ao faturamento com publicidade na internet. A solidez desse modelo, no entanto, passou a ser desafiada pela revolução das inteligências artificiais generativas, que abre novos flancos na guerra entre as titãs da tecnologia.
Busquei na memória (na minha, não na do computador) o famoso memorando de Bill Gates (então um dos sumos sacerdotes da era digital), de 1995, alertando para o maremoto que seria a internet e as profundas implicações que traria. O Google surgiria três anos depois — e o resto é história, assim mesmo, com H maiúsculo, porque o mundo não seria o mesmo a partir daí.
O Google passou a ser sinônimo de internet graças à eficiência e à praticidade de seus motores de busca, que redefiniram o modelo de negócios de comunicação e publicidade. Ao ditar as regras desse ecossistema, a empresa ficou com a fatia do leão do bolo planetário de investimentos em marketing.
Consolidou-se, então, um modelo em que praticamente todos passaram a trabalhar para o Google, direta ou indiretamente (dependendo do ponto de vista), gerando bilhões e bilhões de dólares — um sistema que parecia imbatível.
Até agora.
O avanço da Meta é resultado de estratégias alinhadas entre Facebook, WhatsApp e Instagram, que se mostraram efetivas no desafio ao líder e indicam uma mudança relevante na dinâmica da disputa por receitas publicitárias.
Claro que, após tudo somado, a concentração continua privilegiando o Vale do Silício. O pedaço maior desse mercado permanece nos balanços de três gigantes americanas: mais de 62% da publicidade digital do planeta ficam com Meta, Google e Amazon.
Ainda assim, é digno de nota que a inteligência artificial já interfere diretamente em um cenário que parecia imutável. E é só o começo: os chineses vêm aí.
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