Especialista: “Até 80% da saúde depende de hábitos e fatores sociais”
Apesar dos avanços da medicina, especialistas destacam que hábitos, prevenção e fatores sociais são decisivos para a saúde e a qualidade de vida
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Enquanto a medicina celebra avanços que transformaram o tratamento de doenças antes sem cura, como a hepatite C, a ciência também reforça um ponto essencial: tecnologia não é o principal determinante da saúde.
“Estimativas robustas mostram que entre 70% e 80% dos desfechos em saúde estão relacionados a determinantes sociais e comportamentais, enquanto o sistema de saúde, incluindo a tecnologia médica, responde por uma parcela menor desse resultado”, destaca a médica de família e comunidade, mestre e doutoranda em Doenças Infecciosas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Taynah Repsold.
Na prática, de acordo com a médica, isso significa que aspectos como estilo de vida, alimentação, atividade física, qualidade do sono e consumo de substâncias influenciam diretamente o risco de doenças cardiovasculares, câncer e condições metabólicas.
“Além disso, o vínculo contínuo com serviços de saúde, especialmente na atenção primária, reduz mortalidade, evita internações e melhora a adesão aos tratamentos. O acesso oportuno ao cuidado também é decisivo, pois desigualdades levam a diagnósticos tardios e piores desfechos. E, acima de tudo, fatores socioeconômicos como renda, educação e ambiente moldam o risco de adoecimento de forma profunda”.
A médica aponta que a tecnologia médica é “indispensável, especialmente em situações complexas, mas atua como complemento”.
A neurologista Mariana Grenfell ressalta também que as novas terapias são “extraordinárias e têm mudado o destino de muitas doenças”, mas, quando o assunto é saúde cerebral, a prevenção continua sendo “uma das estratégias mais poderosas e acessíveis”.
“Grande parte dos casos de AVC, por exemplo, está relacionada a fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, sedentarismo e cessar o tabagismo. O mesmo vale para o risco de demência ao longo da vida”, destaca.
“Nosso objetivo não é apenas prolongar a vida, mas preservar autonomia, cognição e qualidade de vida”, completa.
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