Dormir pouco é pior do que sedentarismo, afirma especialista
Dormir bem é tão vital quanto dieta e exercícios, impactando saúde e longevidade
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Não é sem motivo que cientistas e médicos tentam reverter os efeitos do sono insuficiente e melhorar a qualidade de vida da população. Um estudo provou que dormir pouco – menos de sete horas por dia para adultos – pode ser mais prejudicial à expectativa de vida do que fatores já conhecidos, como má alimentação e sedentarismo.
Isso não quer dizer que deve-se abrir mão das atividades físicas e dieta balanceada. Pelo contrário, os três pontos andam juntos, segundo especialistas.
Publicado na revista Sleep Advances, o estudo da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU), nos Estados Unidos, que utilizou os dados das pesquisas do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de 2019 a 2025, demonstrou que apenas o cigarro é mais prejudicial do dormir pouco.
A pneumologista e médica do sono Roberta Couto destaca que o sono não se trata de um processo estático.
“Durante o sono muitas funções importantes para o funcionamento do organismo estão acontecendo. Quando dormimos, reduzimos o risco cardiovascular, o cognitivo – porque ele consolida a memória – , diminuímos o risco de doenças neurodegenerativas, porque durante o sono fazemos uma faxina cerebral (sistema glinfático) retirando as proteínas e toxinas que foram produzidas durante o dia”.
É ainda durante o sono, segundo Roberta, que há produção de hormônio do crescimento, de testosterona, regulação do hormônio da fome e da saciedade e ativação do sistema imunológico, além da consolidação da memória e concentração.
Pacientes que dormem pouco, segundo o neurologista e médico do sono Alexandre Marreco, têm maior risco de infarto, arritmia, AVC, câncer, depressão, ansiedade Alzheimer e Parkinson, além de doenças autoimunes.
E qual seria o tempo ideal de sono? De acordo com Alexandre, existe uma variação geral da normalidade, sendo que para adultos essa variação é de sete a nove horas de sono.
“No idoso isso cai um pouco, de seis a oito horas, com uma redução ao longo da vida. Infelizmente, o que temos visto são a maioria das pessoas trocando essas horas de sono para ficar no celular, vendo televisão e momentos de prazer, negligenciando o sono em longo prazo. Essas pessoas vão colher um prejuízo para a saúde”, alerta Marreco.
No Brasil, segundo pesquisa divulgada em 2020, com dados de 2019, pela Academia Brasileira de Sono, a população brasileira dorme, em média, 6,4 horas por noite.
Prioridade
Há sete anos, a bióloga Raquel Spinassé Dettogni, de 40 anos, passou a priorizar seu sono. Desde então, ela dorme de sete a oito horas por noite.
“Acordo durante a semana às 5h20, então às 21 horas já estou deitada, mesmo que meu marido ou minha filha ainda não estejam. O único dia da semana que me permito dormir mais tarde é na sexta, pois no sábado acordo um pouco mais tarde”.
E não é apenas do sono que Raquel cuida: ela corre - se preparando para uma maratona-, treina musculação e ainda preza por uma boa alimentação. “Prezo por uma alimentação de qualidade”.
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