Operação no ES e outros 10 estados mira rede de produção de armas com impressão 3D
Na Serra, agentes encontraram materiais usados na fabricação
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Uma operação realizada no Espírito Santo e outros 10 estados teve como alvo, na manhã desta quinta-feira (12), uma rede de desenvolvimento, produção e comercialização de armas e acessórios fabricados por meio de impressão 3D. De acordo com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, tendo como alvo 30 suspeitos.
"As apurações identificaram uma rede estruturada que utilizava a internet para desenvolver, divulgar e comercializar projetos digitais de armamentos produzidos por impressão 3D, além de acessórios de alto poder destrutivo, como carregadores de grande capacidade. Esse tipo de armamento, por não possuir numeração de série e poder ser produzido com equipamentos acessíveis no mercado, é frequentemente classificado como 'arma fantasma', o que dificulta sua rastreabilidade e representa risco relevante à segurança pública", explicou a pasta.
No Espírito Santo, um mandado de busca e apreensão foi cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público capixaba, na Serra.
Durante a ação, agentes localizaram uma impressora 3D e também apreenderam materiais relacionados à fabricação de armas, um carregador de pistola calibre 9 milímetros e cartões vinculados à empresa do investigado no Estado.
Segundo a corporação, o material arrecadado será encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro para análise e continuidade das apurações. A Polícia Civil do Espírito Santo foi procurada para dar detalhes sobre os desdobramentos da operação no Estado e, assim que houver resposta, este texto será atualizado.
Outros mandados também foram cumpridos nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
Entenda como funcionava o esquema
Investigações apontam que integrantes do esquema criminoso compartilhavam arquivos digitais, manuais de montagem e orientações para produção clandestina em plataformas online — permitindo que terceiros reproduzissem o armamento de forma ilegal.
A organização também utilizava sistemas de pagamento digitais de forma anônima, dificultando o rastreio das transações financeiras. Ainda segundo as diligências, os recursos eram empregados na aquisição de equipamentos, na manutenção da infraestrutura digital e no financiamento das atividades do grupo.
"Apesar de se apresentarem publicamente como defensores de projetos de “código aberto”, integrantes da organização também produziam e comercializavam fisicamente componentes de armamento fabricados por impressão 3D. Os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos correios para compradores em diferentes estados", informou o ministério.
Cruzamento de dados indicam, ainda, que parte dos destinatários possuía antecedentes criminais, incluindo possíveis ligações com milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas.
Denúncia
Com base nas evidências reunidas, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou os integrantes do grupo pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais. Na denúncia, o órgão solicita a condenação solidária dos acusados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, em razão da "grave ameaça à segurança pública decorrente da produção e disseminação de armamentos ilegais de difícil rastreamento".
As medidas judiciais cumpridas nesta quinta incluem prisões preventivas, buscas e apreensões e outras providências cautelares destinadas a interromper a produção e a circulação clandestina desse tipo de armamento.
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