Cada processo judicial como oportunidade de aprimoramento
Formação sólida e protocolos reforçam a segurança do paciente
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A segurança do paciente não começa apenas no centro cirúrgico. Ela se inicia na formação médica, quando o profissional constrói bases técnicas, éticas e científicas que nortearão sua trajetória.
Uma formação sólida é essencial para compreender não só a execução de procedimentos, mas também a avaliação de riscos, a correta indicação terapêutica e, sobretudo, o reconhecimento de limites.
Tenho acompanhado o crescimento das ações judiciais relacionadas a falhas em procedimentos cirúrgicos. Embora sejam associados a conflitos e responsabilidades, também representam oportunidade relevante de reflexão e aprimoramento da prática médica.
Esse compromisso se estende ao planejamento cirúrgico, etapa decisiva para o sucesso de qualquer intervenção. Cada paciente tem características próprias que exigem análise criteriosa, desde o histórico clínico até as expectativas quanto ao procedimento. Planejamento adequado reduz riscos, aumenta a previsibilidade e fortalece a confiança entre médico e paciente.
A observância de protocolos, boas práticas e atualização constante em relação às técnicas e tecnologias disponíveis são indispensáveis. A cirurgia plástica, como outras especialidades, evolui continuamente, exigindo preparo permanente para oferecer condutas seguras e eficazes.
A segurança não se encerra com o término da cirurgia. O acompanhamento pós-operatório é essencial para identificação precoce de intercorrências e adequada orientação do paciente.
A transparência na relação médico-paciente é pilar de vínculos baseados em confiança, respeito e responsabilidade compartilhada.
O aumento das ações judiciais evidencia a necessidade de mudança cultural na saúde. Protocolos de segurança não devem ser vistos apenas como exigências formais, mas incorporados à rotina assistencial com compromisso real com a qualidade do cuidado.
Na minha experiência como médico perito e assistente técnico judicial, observo que muitos conflitos poderiam ser evitados com comunicação clara, documentação adequada e respeito rigoroso às diretrizes de segurança. Mais do que apontar falhas, a perícia médica contribui para análise técnica dos fatos e aprimoramento das práticas assistenciais.
Essa mudança cultural pressupõe que serviços de saúde assumam seu dever institucional de apoiar pacientes vítimas de dano assistencial. Recomendações internacionais destacam que aprender com erros exige transparência, acolhimento, explicação clara, pedido de desculpas adequado e acesso a tratamento complementar quando necessário. Medidas de apoio prático, psicológico e mecanismos de reparação justa não representam fragilidade institucional, mas maturidade ética.
O livro Sistemas de Notificação e Aprendizagem de Incidentes de Segurança do Paciente, da OMS (2021), traduzido por mim para o português, reúne recomendações relevantes sobre cuidado e segurança. Cada caso analisado deve servir como aprendizado coletivo, permitindo evolução contínua da medicina, com o objetivo de garantir mais segurança, confiança e qualidade no atendimento aos pacientes.
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