Acidentes ofídicos podem ser fatais
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Eu nasci com três vidas. A primeira terminou com a perda da ingenuidade, a segunda com a perda da inocência e a terceira quase termina com a perda da própria vida.
Passei minha infância correndo pelas matas, subindo pelos morros e nadando pelas praias.
Um dia, andando pelas trilhas, avistei uma cobra vermelha e preta. Com apenas sete anos de idade, eu não saberia que se tratava da espécie coral, extremamente peçonhenta. Curioso, como toda criança, peguei uma vara e consegui colocar a serpente dentro de uma lata. Ao chegar em casa, com o dedo polegar servindo de pinça para segurar o recipiente, mostrei o valioso espécime para meu pai, que, desesperado, chutou a lata para longe. Por pouco, aquela serpente não picou meu dedo, tirando minha terceira vida.
Os efeitos dos venenos desses répteis podem variar, dependendo da espécie. Os principais sintomas são hemorragias, coagulação sanguínea e paralisia.
O veneno da cascavel inibe os movimentos musculares, provocando paralisia em várias partes do corpo. Por isso, a vítima pode parar de respirar se não tiver socorro adequado em tempo hábil, algo em torno de 2 a 6 horas.
A picada de cobra coral tem efeito semelhante ao da cascavel, mas apresenta mais risco de morte por paralisia do sistema respiratório. A pessoa picada por essa serpente apresenta sonolência, visão turva, dor muscular, náusea e dor de cabeça.
O veneno da jararaca afeta os vasos sanguíneos, comprometendo seu funcionamento.
No local da picada surgem dor, inchaço, sangramento e manchas arroxeadas. Sem atendimento médico, a vítima evolui para hemorragia interna, podendo levar à morte.
Outra espécie, cujo veneno atua de forma semelhante, é a cobra surucucu. Além de lesar os vasos sanguíneos, o veneno provoca diarreia, diminuição dos batimentos cardíacos, pressão baixa e choque.
Existem particularidades que distinguem se uma serpente é venenosa ou não. Entretanto, em função das circunstâncias, é muito difícil alguém picado por uma cobra observar esses detalhes, como a pupila vertical dos olhos, a presença de dois furos laterais, o formato triangular da cabeça, a cauda que afunila rapidamente, hábitos noturnos, entre outros.
Por esse motivo, diante de uma picada de cobra, não devemos perder tempo ao procurar ajuda, pois o tratamento deve ser feito em até 30 minutos, após a picada.
É importante deitar a vítima, lavar o local com água e sabão, aplicar compressa de gelo e transportar rapidamente o paciente para o hospital.
Em hipótese alguma devemos aplicar torniquete ou garrote, cortar ou perfurar o local picada, colocar folhas, pó de café ou qualquer substância que possa contaminar a ferida, oferecer bebidas alcoólicas, querosene ou qualquer outro líquido tóxico, ou fazer uso de qualquer prática caseira que possa retardar o atendimento médico.
Em caso de acidente ofídico, vá correndo contra o tempo, enquanto dá pra respirar.
Parta em busca de socorro, antes que sorte vire azar.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.