Frankenstein
Folha de São Paulo
Para deputados do PSB ouvidos pela coluna, a votação de terça-feira, na qual 11 parlamentares da sigla apoiaram a PEC do voto impresso defendida por Jair Bolsonaro é uma fotografia do momento de transição atravessado pela legenda de esquerda.
Dezessete dos 31 pessebistas foram contra a proposta. Segundo essa leitura, o PSB passou por período de expansão para o projeto de Eduardo Campos (1965-2014) e atraiu pessoas sem identidade com a visão ideológica do partido.
Reforma
Algumas dessas pessoas permaneceram no partido desde então e votaram com o governo na terça, avaliam. Seria o caso, por exemplo, de Liziane Bayer (RS), deputada alinhada a Bolsonaro na maior parte de suas pautas e que apoiou a PEC.
Prumo
Os deputados consultados pelo Painel apontam que o momento atual é o do que chamam de “autorreforma”, uma guinada do partido em direção a suas raízes. A adesão de Flávio Dino (MA) e Marcelo Freixo (RJ) faz parte desse projeto, que tende a se afastar dos alinhados ao governo e se aproximar de figuras representativas da oposição.
Retorno
Bolsonaristas têm usado a falta de apoio do PP e do PL na votação da PEC para criticar nos bastidores o espaço dado por Bolsonaro a integrantes desses partidos. Eles reclamam que o Centrão não se esforçou para aprovar a proposta.
Nos olhos
Aprovado em maio com o aval de Lira, o projeto de resolução que mudou o regimento interno da Câmara para limitar as ferramentas que a oposição pode usar para criar obstáculos em votações voltou-se contra os bolsonaristas na terça. À época, eles apoiaram em peso as mudanças que engessaram a atuação dos partidos de oposição.
...dos outros
Na terça, o líder do PSL, Major Vitor Hugo (GO), pediu adiamento de votação da PEC do voto impresso, para ganhar mais tempo e angariar mais apoio. Lira, então, decidiu abrir votação sobre o tema, O líder do PT, Bohn Gass (RS), questionou: após as mudanças no regimento, o pedido de adiamento só é admitido quando há alteração no texto.
...é refresco
Lira consultou a secretaria-geral da Mesa Diretora da Câmara, que deu razão ao petista. O presidente da Câmara pediu desculpas e avisou Major Vitor Hugo da inviabilidade do pedido.
Lembra
Arthur Lira (PP-AL) vetou a indicação de Rodrigo Maia (RJ) para ser um dos vice-líderes da oposição. Ele usou como justificava uma decisão do próprio Maia de 2018, segundo a qual os vice-líderes de oposição têm que ser de um partido que expressa posição contrária ao governo.
Sem casa
Maia está sem legenda desde que foi expulso do DEM, em junho. Como vice-líder da oposição, Maia teria, por exemplo, garantia de tempo de fala em plenário durante votações, o que hoje não tem por estar sem partido.
E ele
“Pensei que o autoritário fosse o Bolsonaro. Nunca pensei que iam querer me proibir de falar”, diz Maia ao Painel. “Se o problema for ter ou não um partido, Bolsonaro também não poderia ser presidente”, completa.
O último
Conhecido como filho 04 de Bolsonaro, Jair Renan se viu dividido entre o apoio do irmão materno, Ivan Valle, e críticas da família paterna após publicar vídeo em que diz que namoraria uma petista. “O que vale é o caráter da pessoa”, disse Jair Renan.
...romântico
“Tá de sacanagem 04?”, escreveu Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Léo Índio, primo de seus irmãos, falou para ele voltar para a Terra. Ivan Valle retrucou: “não é à toa que o irmão preferido dele é Ivanzinho, o anônimo”. Ivan é assessor na Secretaria estadual de Esportes do Rio.
Tiroteio
“Uma tragédia, a proliferação de partidos subsidiados com dinheiro público significa conspiração contra a governabilidade.”
De Esperidião Amin (PP-SC), senador, sobre a aprovação pela Câmara da volta da coligações partidárias para eleições proporcionais.
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Painel,por Folha de São Paulo