Vício em bebida: mais mulheres internadas por consumo de álcool no ES
Dados apontam que mortes ligadas à bebida cresceram mais de 24% entre o público feminino em uma década no Estado
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O consumo abusivo de bebidas alcoólicas entre mulheres cresceu no Brasil e já se reflete em indicadores preocupantes: as mortes atribuíveis à bebida aumentaram 20% em 10 anos e as internações subiram 41%.
Os dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) apontam que o aumento no Estado foi ainda mais expressivo. As mortes atribuíveis ao álcool entre as mulheres cresceram 24,2% entre 2013 e 2023. Já as internações nesse mesmo grupo aumentaram 69,8% em 10 anos.
A análise, que tem como base as informações disponíveis no Datasus, também mostra que, entre os homens, houve crescimento nas internações, mas significativamente menor.
Entre as causas de mortes e internações motivadas pelo uso do álcool estão desde o alcoolismo até a cirrose, alguns tipos de câncer e acidentes de trânsito.
A doutora em Sociologia e coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, explicou que esse aumento preocupa, já que as mulheres são mais sensíveis que os homens aos danos causados pelo uso abusivo do álcool.
“Um dos motivos é que a mulher tem menos água no organismo, o que faz com que o álcool fique mais concentrado. Elas também têm menos enzimas no fígado que metabolizam o álcool”, detalhou.
Outro ponto, segundo ela, é a interação do álcool com os hormônios femininos. “Na mulher jovem, isso pode prejudicar, por exemplo, a regularidade do ciclo menstrual e afetar a fertilidade”.
A especialista aponta que a bebida também é um fator de risco para diversas doenças crônicas, como a hipertensão. “É importante que as mulheres prestem atenção ao próprio consumo e evitem o uso abusivo”, alertou.
Um dos casos em que o uso abusivo causou efeitos devastadores foi o de uma professora capixaba de 30 anos.
“Comecei a beber aos 13 anos, como algo natural, já que vim de uma família que bebia muito. Isso só foi aumentando, a ponto de as minhas amizades serem construídas em torno da bebida. Também passei a me colocar em situações perigosas, como não saber como cheguei em casa”, relatou.
A gota d'água, segundo ela, foi perceber que não conseguia manter um emprego nem terminar as faculdades que começava. “Tive uma fase de isolamento e foi quando procurei na internet um grupo de Alcoólicos Anônimos on-line. Eu não estaria viva hoje se não fosse por isso”.
Seguindo até hoje o modelo baseado em 12 passos, ela revela que reconstruiu sua vida e suas relações praticamente do zero.
Os números
41% foi o aumento no número de internações femininas
20% aumento das mortes atribuíveis à bebida
7 mil mulheres entraram em contato em canais de ajuda
Saiba mais
Mortes e internações de mulheres por uso de álcool
Um levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) aponta os reflexos do aumento do número de internações e de mortes atribuíveis ao álcool entr e as mulheres nos últimos anos.
Além do alcoolismo, entre as causas de mortes e internações por uso de álcool podem estar cirrose hepática, acidentes de trânsito e câncer.
No país
20% foi o crescimento das mortes atribuíveis ao álcool entre 2013 e 2023.
41% foi o aumento das internações de mulheres por causa do álcool entre 2014 e 2024.
No Estado
24,2% foi o aumento das mortes atribuíveis ao álcool entre 2013 e 2023
69,8% foi o crescimento das internações atribuíveis ao álcool entre 2014 e 2024.
Uso abusivo de álcool no País
A pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, aponta que houve aumento do chamado “consumo episódico pesado de bebidas alcoólicas” – termo utilizado para descrever a ingestão de grande quantidade de bebida alcoólica em uma única ocasião.
Entre mulheres, o percentual daquelas que tiveram consumo pesado quase que dobrou, enquanto nos homens se manteve estável.
Entre mulheres
2006: 7,8%
2004: 15,7%
Entre Homens
2006: 25%
2004: 25,9%
Alcoólicos Anônimos (A.A.)
7 mil mulheres entraram em contato pelos canais de ajuda da Colcha de Retalhos de Alcoólicos Anônimos em 2025, no País.
270% foi o crescimento em relação a 2024.
Mulheres entre 35 e 44 anos representaram 42,6% dos contatos.
O que é o consumo abusivo?
É a ingestão de cinco ou mais doses (homens) ou quatro ou mais doses (mulheres) em uma única ocasião, pelo menos uma vez no último mês.
Uma dose corresponde a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose (shot) de destilado.
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