Governo estuda a liberação de caneta emagrecedora pelo SUS
O Ministério da Saúde anunciou que iniciará um estudo clínico com 250 pacientes para avaliar a viabilidade na rede pública
Consideradas hoje primeira opção de tratamento contra a obesidade, os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras poderão chegar ao SUS. O Ministério da Saúde anunciou que iniciará um estudo clínico com 250 pacientes para avaliar a viabilidade na rede pública.
Segundo o Ministério, será iniciado um protocolo de acompanhamento para uso de terapias com GLP-1 – como a semaglutida e a liraglutida– em pacientes já atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
A previsão é avaliar cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para cirurgia bariátrica. O objetivo é entender como o tratamento pode se adaptar à realidade do SUS.
Além disso, o Ministério da Saúde solicitou à Anvisa prioridade no registro de medicamentos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida. A expectativa é que isso possa reduzir os preços.
No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação da semaglutida e liraglutida, considerando o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões.
A endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo, Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, destacou que a incorporação das medicações ao SUS é uma demanda histórica e defendida pela classe médica.
“Há anos a comunidade médica vem alertando que a obesidade precisa ser tratada com o mesmo rigor científico e acesso a terapias modernas que oferecemos para outras doenças crônicas, como a hipertensão e o câncer”.
Ela enfatizou que a inclusão dessas medicações tem potencial de gerar economia para o SUS a médio e longo prazo.
“O raciocínio é preventivo e farmacoeconômico. Hoje, o SUS gasta bilhões por ano na ponta final da doença, ou seja, tratando consequências e as complicações da obesidade não controlada. Estamos falando do custo de internações por infartos e AVCs, de procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas”.
A endocrinologista e delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) no Estado, Mariana Guerra, afirmou que o SUS hoje não tem medicação disponível para tratamento de obesidade.
“Temos apenas cirurgia bariátrica, que é indicada para pacientes com obesidade grau 3 ou grau 2 com doença”.
Expectativa
Tratamento contra resistência à insulina
A estudante e dona de casa Joice Evora, 41, acompanha com expectativa a possibilidade de que as chamadas canetas emagrecedoras passem a ser oferecidas pelo SUS.
Ela já utilizou a Saxenda por um período para auxiliar no tratamento da resistência à insulina, condição que contribui para o ganho de peso, mas precisou interromper o uso devido ao alto custo do medicamento.
“Depois, fiz tratamento com o Glifage, que era fornecido pelo SUS. Mas os efeitos colaterais dificultaram a continuidade do tratamento”.
Agora, ela vê com esperança a possibilidade de acesso gratuito às canetas. “Quando liberar pelo SUS, vou procurar usar novamente, porque ajuda muito no tratamento da resistência à insulina”, afirma.
O que eles dizem
Base
“Quando o sistema público de saúde investe em medicamentos para tratar a obesidade na base, ele evita que o paciente chegue a um estado crítico”.
Recursos
“A obesidade é uma doença extremamente prevalente. No Brasil, cerca de 68% dos pacientes estão com sobrepeso. Precisamos ter recursos para tratar a obesidade, que traz outras doenças como, por exemplo, diabetes, hipertensão, esteatose hepática e artrose de joelho”.
Potentes
“Não existe obeso saudável. A obesidade, mesmo sem alterar exames, reduz expectativa de vida e aumenta afastamentos e internações. Temos hoje medicações potentes e seguras”.
Saiba Mais
Estudo clínico
- O Ministério da Saúde informou que irá iniciar um protocolo de acompanhamento para uso de medicações com GLP-1, conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras”.
- O estudo será feito com monitoramento de pacientes já atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
- A previsão é avaliar cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para fazer cirurgia bariátrica.
- O objetivo é entender como o tratamento pode se adaptar à realidade do SUS.
- De acordo com a farmacêutica Novo Nordisk, o medicamento usado no teste é o Wegovy (semaglutida) e vai ser distribuído para os pacientes.
- Não há prazo para o estudo ser finalizado.
Genéricos
- Além do Estudo, o Ministério da Saúde também solicitou à Anvisa prioridade no registro de medicamentos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida para tratamento da obesidade e diabetes tipo 2.
- Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa.
Negativa
- No ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação dos princípios ativos semaglutida e liraglutida.
- Entre outras razões, foi considerado o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões.
Novo pedido
- A Novo Nordisk agora protocolou um novo pedido de inclusão do medicamento na rede pública, desta vez com desconto de 59% no preço.
- A proposta da empresa é vencer a barreira de preço, que levou à recusa do pedido no ano passado.
- Hoje, a rede pública não tem nenhum medicamento para a obesidade. A única opção para o paciente é a cirurgia bariátrica.
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