Especialistas explicam por quê venda de xaropes com Clobutinol foi suspensa
Medicamentos para tosse que contêm a substância clobutinol estão proibidos no País por risco de arritmia grave, segundo a Anvisa
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão no Brasil de medicamentos que contenham clobutinol. A substância, inibidora da tosse e muito comum em xaropes, foi associada ao aumento do risco de arritmias cardíacas graves.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União ontem. Desde então, estão vedadas a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação, a manipulação e a propaganda, bem como o uso.
De acordo com o cardiologista Diogo Barreto, do Hospital Evangélico de Vila Velha, o problema está na forma como o medicamento interfere na atividade elétrica do coração.
“Ele pode provocar o prolongamento do intervalo QT, que é uma medida observada no eletrocardiograma. Essa alteração cria um ambiente propício para o surgimento de arritmias”, afirmou o cardiologista.
Segundo o especialista, embora o risco seja considerado baixo, as complicações podem ser graves, o que, na avaliação da Anvisa, não compensa em relação aos benefícios do remédio, que apenas alivia o sintoma da tosse.
“Quando a arritmia acontece, pode levar a quadros como desmaio e até morte súbita.”
O arritmologista Guilherme Moreira Pizetta, do Hospital Santa Rita, ressalta que o risco é ainda maior em caso de uso combinado com medicamentos como antiarrítmicos e até antibióticos.
“Pessoas com doenças cardíacas, problemas renais, alterações nos níveis de potássio ou magnésio, idosos e mulheres também costumam ser mais vulneráveis.”
Apesar da suspensão, não há motivo para pânico. “Em geral, o medicamento é eliminado do organismo em poucos dias. Em caso de algum sintoma diferente, a orientação é procurar a avaliação de um médico, que pode pedir um eletrocardiograma”, adiciona Guilherme.
Entre os sinais de alerta, a cardiologista Tatiane Emerich destaca a sensação de coração acelerado ou com batimento irregular, a tontura, os desmaios e a falta de ar inexplicada. “Nesses casos, é preciso procurar um médico para avaliação.”
A médica acrescenta que a proibição serve de alerta para os riscos da automedicação.
“Mesmo sendo comuns e facilmente acessíveis, os medicamentos para gripe e tosse não são isentos de risco. Além disso, é importante se atentar à composição.”
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