Como tratar os 10 problemas mais comuns na menopausa?
Especialistas explicam como aliviar sintomas como ondas de calor, falhas de memória, ganho de peso e perda de massa muscular
Para além das ondas de calor, a menopausa pode causar alterações no sono, no humor, na pele e até aumentar o risco para diabetes ou doenças cardiovasculares. A boa notícia é que, com o avanço da medicina, há estratégias que ajudam a reduzir os impactos dessa fase.
Esses cuidados são um dos temas discutidos por médicos de diversas especialidades durante o 29º Congresso Espírito-Santense de Ginecologia e Obstetrícia, promovido pela Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo (Sogoes), que vai até amanhã.
Com o aumento da expectativa de vida, mulheres passam mais tempo na menopausa. Por isso, o tema, que passou anos sem atenção, precisa ser discutido de forma ampla segundo a presidente da Sogoes, a ginecologista Karin Rossi.
“O profissional que acompanha a saúde da mulher precisa entender as transformações e avaliar os tratamentos existentes para que elas tenham qualidade de vida”.
Uma das principais queixas são as ondas de calor, também chamadas de “fogachos”. Causando suor intenso, os episódios afetam o sono, de acordo com a ginecologista Ana Paula Gonçalves.
“Quando a mulher não dorme bem, isso acaba interferindo no humor, na disposição e na rotina. Nesses casos, o tratamento mais adequado é a reposição hormonal com a orientação profissional”.
É comum também que a mulher perceba aumento de peso. Segundo a ginecologista e nutróloga Theresa Cristina Léo, o que acontece é uma mudança na região onde a gordura se acumula.
“É mais um resultado da queda hormonal. Por isso, é importante que a mulher mantenha hábitos saudáveis desde cedo, para que o tratamento seja mais tranquilo”.
Para as pacientes com questões como o lipedema, acúmulo anormal de gordura, a menopausa pode ser ainda mais desafiadora. A médica Paula Frederichi de Souza diz que a piora se deve ao desequilíbrio hormonal da fase.
“Não existe um remédio milagroso. O tratamento do lipedema é clínico e envolve principalmente mudanças no estilo de vida e uma rotina saudável”.
Mesmo com desafios, para que a fase seja vivida de forma mais tranquila, a ginecologista Regina Ferrante Rebello de Souza defende que os cuidados devem começar desde cedo.
“O ideal é que a mulher construa hábitos saudáveis ao longo de toda a vida, porque hoje sabemos que a menopausa é sistêmica, afetando várias áreas da vida da mulher”.
Saiba mais
1. “Fogachos” ou ondas de calor
O que acontece: Sensação repentina de calor, suor intenso e vermelhidão, muito comum durante a noite.
Como tratar: A terapia hormonal é o tratamento de primeira linha para mulheres sem contraindicação. Também ajudam medidas como evitar gatilhos individuais, manter o ambiente fresco e manter hábitos saudáveis.
2. Insônia
O que acontece: Dificuldade para dormir ou despertares frequentes, muitas vezes associados aos fogachos noturnos.
Como tratar: Controle dos sintomas hormonais, higiene do sono, redução de estímulo antes de dormir e técnicas de relaxamento.
3. Alterações de humor
O que acontece: Episódios de irritabilidade, tristeza, ansiedade e maior sensibilidade emocional.
Como tratar: Acompanhamento médico, controle hormonal quando indicado, atividade física e cuidados com a saúde mental.
4. Falhas de memória
O que acontece: Pequenos esquecimentos e dificuldade para encontrar palavras podem ser mais frequentes nessa nova fase.
Como tratar: Controle dos fatores hormonais, prática de exercícios, sono adequado, alimentação equilibrada e estímulos cognitivos.
5. Ganho de peso
O que acontece: A queda do estrogênio favorece mudanças na distribuição de gordura corporal, com maior acúmulo na região abdominal.
Como tratar: Alimentação equilibrada, exercícios aeróbicos e de força, especialmente musculação, além de controle do sono e acompanhamento profissional.
6. Perda de massa muscular
O que acontece: O envelhecimento e as mudanças hormonais favorecem a redução da musculatura e da força.
Como tratar: Prática regular de exercícios de resistência, como musculação, consumo adequado de proteínas e acompanhamento profissional.
7. Enfraquecimento dos ossos
O que acontece: A redução de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose.
Como tratar: Exercícios, alimentação adequada e reposição de nutrientes quando necessário.
8. Pele seca, flacidez e queda de cabelo
O que acontece: A redução hormonal diminui a produção de colágeno e altera a saúde da pele, cabelos e unhas.
Como tratar: Proteção solar diária, rotina adequada de cuidados, alimentação saudável e acompanhamento dermatológico.
9. Lipedema
O que acontece: As alterações hormonais podem desencadear ou agravar o lipedema, doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura e dor, principalmente nos membros inferiores.
Como tratar: Controle do peso, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle dos fatores de risco.
10. Risco aumentado de diabetes e doenças cardiovasculares
O que acontece: As mudanças hormonais e o aumento de gordura abdominal podem elevar o risco de pressão alta, diabetes, infarto e AVC.
Como tratar: Controle do peso, alimentação equilibrada, atividade física regular, acompanhamento médico e controle dos fatores de risco.
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