Cirurgia inédita retira tumor do cérebro com ajuda de IA
Paciente de 48 anos no Reino Unido teve tumor na hipófise retirado com ajuda de IA em tempo real, que funcionou como “segundo par de olhos”
A Inteligência Artificial (IA) já participa de cirurgias como forma de apoio para os médicos. No Reino Unido, um paciente de 48 anos se tornou o primeiro do mundo a passar por uma cirurgia cerebral com auxílio de IA em tempo real. Na ocasião, foi feita uma operação para retirada de um tumor na hipófise.
A hipófise produz hormônios fundamentais para o organismo, atuando em funções como crescimento, pressão arterial e regulação da temperatura corporal.
Para chegar ao resultado final, os médicos precisaram treinar a ferramenta, como explica Adriana Libório, neurocirurgiã e diretora de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Neurologia.
“A IA foi treinada com diversos exames de imagem da lesão tumoral na hipófise. Assim, a ferramenta aprendeu sobre aquele tipo de tumor e pode ajudar os médicos na identificação de vasos sanguíneos e nervos importantes, próximos ao tumor”, detalha.
O neurocirurgião Ulysses Caus Batista afirma que essa cirurgia é realizada em uma região extremamente delicada.
“A hipófise fica na base do crânio, muito próxima de estruturas nobres. Nesse contexto, a Inteligência Artificial funciona como uma ferramenta adicional de segurança, como se tivéssemos um GPS adicional durante a cirurgia”, afirma.
André Bissoli, neurocirurgião da Rede Meridional, destaca que apesar das novas tecnologias, elas não substituem os cirurgiões.
“Essas ferramentas vêm para aprimorar, para melhorar a segurança e a qualidade dos procedimentos. É necessário ter uma pessoa responsável pelo tratamento e que tenha experiência para tomar as decisões”, pontua.
As perspectivas para o futuro são de muitos avanços, segundo Bruno Borlott, neurocirurgião e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
“No futuro, podemos imaginar algoritmos capazes de reconhecer não apenas vasos e nervos, mas também limites tumorais, tecido cerebral normal e determinadas estruturas funcionais”, destaca.
O especialista complementa que essas novas ferramentas podem ser muito úteis, principalmente em cirurgias para retirada de tumores nas chamadas áreas eloquentes do cérebro, que são responsáveis por funções como fala, movimento, visão, memória e compreensão da linguagem.
Visão preservada
No Reino Unido, Rhys Hibbert, de 48 anos, tornou-se o primeiro paciente do mundo a passar por uma cirurgia para retirada de tumor cerebral com auxílio de IA.
A operação foi realizada em maio desse ano, no National Hospital for Neurology and Neurosurgery, em Londres. Hibbert tinha um tumor benigno de 11 milímetros na hipófise. O crescimento dele estava comprometendo sua visão e poderia levá-lo à cegueira. A cirurgia foi um sucesso e sua visão foi preservada.
Sistema acompanha em tempo real
Retirada de tumor com auxílio de IA
no Reino Unido, o britânico Rhys Hibbert, de 48 anos, foi o primeiro paciente do mundo a passar por uma cirurgia cerebral com auxílio de IA em tempo real.
A novidade está no uso da IA durante a própria cirurgia: em vez de analisar apenas exames feitos antes do procedimento, o sistema acompanhou as imagens transmitidas pela câmera durante a operação.
Como funciona?
A inteligência artificial foi treinada com centenas de vídeos de cirurgias para aprender a reconhecer estruturas importantes do cérebro.
Durante a operação, o sistema analisa as imagens em tempo real e destaca vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas que precisam ser preservadas.
A tecnologia funciona como um “segundo par de olhos” para o cirurgião, ajudando a identificar áreas de risco.
A IA não realiza a cirurgia nem toma as decisões, o controle continua nas mãos dos médicos.
Benefícios
- Mais precisão: Ajuda o médico a identificar estruturas delicadas durante o procedimento.
- Mais segurança: Pode reduzir o risco de atingir nervos ou vasos importantes.
- Preservação de funções: Em cirurgias próximas a áreas responsáveis pela visão, fala ou movimento, a tecnologia pode ajudar a evitar danos.
- Apoio em tempo real: Diferentemente de ferramentas que analisam apenas exames pré-operatórios, o sistema acompanha o que está acontecendo durante a cirurgia.
Em quais casos pode ser feita?
Por enquanto, a tecnologia ainda está em fase de pesquisa e testes clínicos, portanto não é uma ferramenta disponível para qualquer cirurgia cerebral.
No futuro, tecnologias semelhantes podem ser adaptadas para outros tipos de tumores e procedimentos neurológicos, especialmente aqueles em que é fundamental localizar e preservar estruturas importantes.
A expansão para outros casos dependerá de novos estudos que comprovem a segurança, a precisão e os benefícios da tecnologia em diferentes tipos de cirurgia.
Limitações e riscos
A inteligência artificial não substitui o cirurgião e não toma decisões sozinha durante o procedimento.
O caso do Reino Unido é pioneiro, mas um único procedimento não é suficiente para comprovar que a IA melhora os resultados das cirurgias. São necessários mais estudos e testes com outros pacientes.
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