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Saúde

Autismo: diagnóstico em meninas é desafio

Especialistas explicam que elas podem ter uma manifestação mais sutil do transtorno, contribuindo para o subdiagnóstico


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Imagem ilustrativa da imagem Autismo: diagnóstico em meninas é desafio
Diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em meninas é um desafio |  Foto: Imagem ilustrativa/Canva

No dia 02 de abril é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data para promover conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como sobre as necessidades e os direitos das pessoas autistas.

Estudos apontam que para cada menina com o transtorno, há quatro meninos com TEA. Só que nas meninas, segundo especialistas, o diagnóstico torna-se frequentemente mais tardio e complexo do que nos meninos.

Estimativas do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos sugerem que uma a cada 36 crianças, até oito anos, tem TEA, cerca de 2,8% daquela população. Considerando apenas a população desta faixa etária no Espírito Santo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, são 12.442 crianças com TEA.

Apesar de ser mais comum em meninos, o diagnóstico em meninas, principalmente para casos mais leves, tendem a ser mais tardios, devido à capacidade que as meninas possuem em ter como habilidade melhor desenvolvida a “mímica”, a imitação, explica a psiquiatra infantil Fernanda Mappa.

“Esse recurso 'mascara' dificuldades sociais, mas com o aumento de demandas sociais, necessidade de recursos mais sutis nos jogos sociais, fica mais evidente. Outra questão são as comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, que, muitas vezes, levam as meninas para os consultórios”.

De acordo com a neurologista Mariana Grenfell, há uma hipótese biológica, conhecida como “proteção feminina”, que sugere que meninas podem ter uma manifestação mais sutil do autismo, contribuindo para o subdiagnóstico.

Os estudos mostram, segundo a neurologista, que, em média, meninos são diagnosticados por volta dos 3 a 4 anos de idade, enquanto meninas recebem o diagnóstico significativamente mais tarde, geralmente entre 6 e 8 anos.

“Em alguns casos, o reconhecimento do TEA só acontece na adolescência ou até mesmo na fase adulta, quando os desafios sociais e emocionais se tornam mais evidentes”, destaca.

“Esse atraso pode impactar significativamente o desenvolvimento e o bem-estar dessas meninas, tornando essencial que pais, educadores e profissionais de saúde estejam atentos às particularidades do TEA no sexo feminino. Quanto mais cedo o diagnóstico , maiores as chances de intervenções adequadas”.

Seletividade alimentar

Transtorno foi descoberto aos 8 anos

Imagem ilustrativa da imagem Autismo: diagnóstico em meninas é desafio
Na foto, Irani Rodrigues e sua filha Ster, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) |  Foto: Leone Iglesias/AT

Aos oito anos, a estudante Ster Rodrigues de Araújo, hoje com 12 anos, foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua mãe, a dona de casa Irani Rodrigues do Nascimento, 39, conta que a menina já apresentava sinais do transtorno quando era bem menor, como andar nas pontas dos pés, seletividade alimentar, sensibilidade auditiva e esterotipias.

“Na época, não sabia o que era. Mas tenho outro filho, o Nicolas, de nove anos, que teve diagnóstico com três anos. Foi através dele que eu comecei a perceber a situação da Ster”.

“Na pandemia ela teve muito esquecimento, procurei ajuda e um neurologista fechou o diagnóstico. Acredito que se ela tivesse sido diagnosticada antes, por exemplo, teríamos feito um trabalho melhor em relação à seletividade alimentar para ela comer melhor”.

Diagnóstico aos 23 anos

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Thaís Tragnago Fontana foi diagnosticada aos 23 anos |  Foto: Acervo pessoal

“Foi libertador”

Foi aos 23 anos que a universitária Thaís Tragnago Fontana, de 24 anos, recebeu o diagnóstico do TEA. Dificuldades de mudança e de superar certas coisas, seletividade alimentar e rigidez cognitiva eram alguns dos sinais que Thaís apresentava. No final de 2023 ela procurou uma psiquiatra e psicóloga, que diagnosticaram o autismo.

“No início foi um baque. Não sabia o que sentir. Mas com o tempo eu fui aprendendo. Ao mesmo tempo foi libertador saber porque sou assim”, afirmou.

Aumento de casos se deve a mudanças na investigação

Nos últimos anos, o aumento de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem chamado atenção. Só que isso não significa, segundo especialistas, que há mais pessoas autistas do que no passado.

A neurologista Mariana Grenfell explica que esse crescimento pode ser explicado por vários fatores, especialmente pelo avanço da ciência e pela maior conscientização da sociedade sobre o espectro autista.

A médica ressalta que a ampliação dos critérios diagnósticos permitiu identificar casos mais sutis de TEA, sendo que antes apenas quadros severos eram reconhecidos. Hoje, mesmo manifestações leves recebem diagnóstico.

“Pais, professores e profissionais de saúde estão mais atentos aos sinais precoces do transtorno”.

Opiniões

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Saiba mais

Menino tem comportamento mais agitado

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

É um transtorno caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento do indivíduo, interferindo na capacidade de comunicação, linguagem, interação social e comportamento. Dentro do espectro são identificados graus que podem ser leves e com total independência.

Diferença de sinais

Meninos tendem a apresentar comportamentos mais agitados, aponta a psiquiatra infantil Fernanda Mappa. Meninas tendem a ser mais introspectivas, mas, socialmente e culturalmente, é mais esperado esse comportamento quieto em meninas. Esse é outro fator que atrasa e até mesmo dificulta o diagnóstico em idade mais precoce.

Consequências do diagnóstico tardio

Meninas, frequentemente, passam anos tentando se encaixar socialmente sem entender suas dificuldades, usando estratégias de camuflagem, que podem levar à exaustão emocional, ansiedade e depressão, aponta a neurologista Mariana Grenfell. Muitas vezes, são rotuladas como tímidas ou desinteressadas, o que atrasa o suporte adequado.

Nos meninos, a falta de um diagnóstico precoce pode resultar em dificuldades acadêmicas, problemas de comportamento e isolamento social.

Ações

Em Vila Velha, a prefeitura promove nesta quarta-feira (02) uma mesa-redonda com especialistas para promover a conscientização sobre o TEA e os direitos das pessoas com o transtorno no Cemas de Olaria.

Em vitória, acontece domingo (06) na praia de Camburi a Caminhada pela Conscientização sobre o Autismo, promovida pela Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes) em parceria com a Prefeitura de Vitória, a partir das 8 horas.

Em Viana, serão realizadas diversas rodas de conversas sobre TEA em escolas do município.

Fonte: Ministério da Saúde, especialistas consultadas e prefeituras.

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