Pazolini quer escolas com 9 horas de aula
Promessa é ampliar creches, proteger mulheres e levar qualificação e programa habitacional com móveis a mais famílias
O candidato a governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi na última terça-feira (22) o segundo a ser sabatinado na série de entrevistas promovida pela TV Tribuna/Band, na sede da emissora, em Vitória.
O republicano apresentou pontos de seu plano de governo e aproveitou para responder a perguntas de cunha político. A entrevista foi conduzida pelo apresentador do TN1 George Bitti e também pelo colunista de política da Rede Tribuna, Eduardo Maia.
Pazolini destacou que um de seus planos é ofertar educação em tempo integral em praticamente todas as escolas estaduais, além de padronizar nove horas de ensino e atividades para cada uma delas.
Rede Tribuna — O senhor promete ampliar as escolas em tempo integral priorizando regiões vulneráveis. Qual será a meta concreta para expansão?
Lorenzo Pazolini — O importante é desenvolver esse projeto ao longo dos quatro anos. Qual foi a receita de Vitória? Saímos de quatro para 50 escolas em tempo integral, e assumi compromisso para levar o projeto para as famílias.
Naturalmente, temos famílias que não desejam o tempo integral, e vamos respeitar, é fundamental. Nosso desejo é levar a quase 100% dos estudantes o tempo integral, é meta ousada, mas factível. Vitória já alcançou praticamente 50% das escolas em quatro anos e meio.
O que vamos fazer é expandir e levar para 9 horas. O modelo de hoje não é suficiente, é extensão das atividades educacionais. Precisamos que esse ensino seja de 9 horas, que contemple as necessidades dos estudantes.
Para ter todo esse processo pedagógico fortalecido isso tem de acontecer, para os estudantes se desenvolverem. Apenas 35% das crianças capixabas de 0 a 3 anos têm acesso às creches, é um dado extremamente grave.
Significa que essas crianças não estão tendo oportunidade de aprendizagem. Cientistas dizem que é na 1ª infância que se desenvolvem as terminações nervosas, é o período em que as crianças mais aprendem, o cérebro é considerado uma “esponja”, dizem os cientistas. Precisamos revertes esses números, levas as creches para todos os lugares do Estado.
Há outro dado relevante: apenas 10% dos estudantes do Ensino Médio aprendem Língua Portuguesa e Matemática adequadamente. Falamos de contas simples ou escrever e interpretar orações.
Precisamos reverter isso com a educação em tempo integral e valorização do magistério capixaba.
A expansão da Casa Rosa é uma de suas propostas para combater a violência contra a mulher. Como seu eventual governo pretende garantir a proteção delas, inclusive nos casos em que há medidas protetivas?
O Espírito Santo é o local mais violento para mulheres no Sudeste. Em Vitória, criamos uma estrutura para humanizar, acolher e ressignificar vidas das mulheres.
Ficamos 653 dias sem feminicídio. Nossas políticas públicas chegaram às áreas de maior vulnerabilidade social.
As mulheres precisam ter própria renda, dinheiro, para buscar abrigo, sair do lar agressor e finalizar o relacionamento. É exatamente isso que queremos, fazer com que as mulheres tenham esperança no futuro, para isso as políticas públicas têm que chegar.
Dados do Instituto Jones mostram queda da criminalidade intencional no Estado entre 2024 e 2025, mas com diferenças entre os municípios. Como seu eventual governo pretende reduzir a violência onde os índices não diminuíram tanto?
Vitória tem sido estudada como case nacional como maior sucesso na redução da violência, porque levamos tecnologia da informação, valorização dos agentes de Segurança Pública mas, principalmente, fomos aos territórios e levamos educação de qualidade, assistência social, esporte, cultura e lazer.
Essa receita está pronta. Queremos levar para todas as regiões. Exatamente esse processo. Para reduzirmos a violência precisamos ter policiais valorizados, reconhecimento salarial, mas temos que levar também educação, transformação e qualificação.
Quando chega hoje em uma área de vulnerabilidade social em Vitória, você sente a presença do poder público. Infelizmente, não é isso que encontramos no território do Espírito Santo. Mais de 18 mil capixabas na fila de exames e especialidades, quase 14% da população capixaba em insegurança alimentar.
Quando falamos em violência, então, não é só polícia, mas um conjunto de ações. Olhar para o futuro, construir juntos. Tivemos 53% de redução nos crimes de morte em Vitória e 30% nas mortes relacionadas ao trânsito. Queremos integrar as políticas.
O que trazemos é esperança de uma gestão pública eficiente, racional, objetiva com bases em dados e que cuida dos capixabas.
Seu programa cita quase 600 mil capixabas vivendo em favelas e comunidades e 132 mil famílias no déficit habitacional. O senhor propõe construir imóveis de interesse social, mas sem definir metas. Como pretende colocar essa proposta em prática?
São quase 598 mil capixabas que sofrem dessa questão. Em Vitória, fizemos uma política pública que revolucionou. É o Casa Feliz e Segura, que entrega não só a casa, mas televisão, geladeira e fogão, tudo novinho para as pessoas.
Qual é nosso compromisso? Expandir essa política pública adequada a realidade do local. Quando fizemos o programa, não imaginaríamos que o Casa Feliz e Segura se tornaria tão grande.
Nós entregamos, inclusive, moradias fora da cidade de Vitória. Entregamos em outro municípios, é nosso compromisso com a vida das pessoas.
O que queremos a partir de janeiro? Pegar essa mesma receita e levar para pessoas com deficiência, às mulheres que foram vítimas de violência doméstica, para as pessoas que já tem idade mais avançada, para que todos tenham direito a moradia digna.
Naturalmente, é difícil mensurar quantos capixabas serão alcançados, mas grande parte do montante de 598 mil capixabas serão alcançados por essa política pública. Não levaremos somente a moradia, mas qualificação profissional, empregabilidade.
Quase 60% das carteiras assinadas do Estado estão na Grande Vitória, há desequilíbrio territorial. As oportunidades aparecem por aqui, mas no Noroeste apenas 2,52% dos moradores têm acesso ao emprego formal. Então, precisamos interiorizar as políticas públicas para levar ao interior.
Repito: levar as casas com televisão, geladeira e fogão, a qualificação profissional e também a oportunidade de ressignificação de vida para todas essas famílias.
Quem é
Lorenzo Pazolini (Republicanos)
- É natural de Vitória e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV), com pós-graduação em Gestão de Segurança Pública.
- Antes de entrar na política, foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) e delegado da Polícia Civil.
- Em 2018, foi eleito deputado estadual pelo então PRP, com 43.293 votos, e exerceu o mandato até deixar o cargo para disputar a Prefeitura de Vitória.
- Eleito prefeito em 2020, assumiu em 2021 e foi reeleito em 2024, no primeiro turno, com 56,22% dos votos válidos.
- Em abril deste ano, renunciou ao cargo para disputar o governo do Estado.
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