Ministro da Educação defende Renan Filho ou Helder Barbalho para vice de Lula
Ministro da Educação elogiou Alckmin, mas ressaltou o ambiente de polarização política para justificar a busca de novos aliados
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O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), admite a possibilidade de substituição do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em prol da ampliação do arco de alianças em torno da candidatura à reeleição do presidente Lula (PT).
Descrevendo Alckmin como uma pessoa extraordinária, correta e leal, o ministro ressaltou o ambiente de polarização política para justificar a busca de novos aliados.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, concedida na última terça-feira (24), Camilo apontou o MDB como parceiro mais viável e destacou o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho, como nomes fortes para a vice de Lula.
“Vejo dois grandes nomes. Primeiro o do Renan Filho. Tem sido um grande ministro, jovem, talentoso. E o outro nome é o governador do Pará, Helder Barbalho. É um cara jovem, apoiou o Presidente”.
Ele acrescentou que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, também é “outro grande nome”, mas reforçou que a prioridade permanece com Alckmin. “A prioridade é do Alckmin, mas, se for o caso de ampliar, dois bons nomes do MDB são esses”.
Sobre a disposição do atual vice-presidente em abrir mão do posto, Camilo avaliou que o cenário dependerá das negociações políticas. “Vai depender muito, primeiro, da viabilidade. É preciso colocar a discussão na mesa”, declarou.
Setores do MDB trabalham para aproximar o partido do Presidente, mas essa é uma operação política difícil de ser realizada. “Não há candidato melhor que a manutenção do vice. Porém, o País está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor”.
O ministro menciona que o MDB já esteve em uma chapa petista — Michel Temer (MDB) foi eleito vice-presidente de Dilma Rousseff. “Deu no que deu”, afirmou Camilo, mas indicou não ver no impeachment da petista motivo para não tentar atrair o partido.
Durante a entrevista, Camilo também defendeu articulação com os partidos do Centrão e reiterou a importância de uma candidatura de Fernando Haddad (PT) em São Paulo.
Prestes a deixar o Ministério da Educação para reforçar no Ceará a campanha do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição, ele revela que preferiria concluir o trabalho à frente da pasta.
Camilo Santana se elegeu senador em 2022 e se licenciou para assumir o ministério. Ele terá mais quatro anos de mandato após a eleição de 2026.
Líder questiona tratamento a Alckmin
O deputado federal Jonas Donizette (SP), líder do PSB na Câmara, questionou o tratamento que o vice-presidente Geraldo Alckmin tem recebido por parte de alas do governo que defendem sua saída da chapa do presidente Lula (PT) à reeleição. Na segunda, reportagem do jornal O Globo mostrou que o assunto foi debatido em uma reunião da Executiva do PT realizada em São Paulo, com divergência entre os membros presentes.
“Tenho certeza que ele continua de vice. Acho injusto o que estão fazendo com ele”, afirmou Donizette, na noite de quarta-feira, em entrevista ao Estadão. “Um vice desleal não mereceria o que ele está vivendo. Ainda mais um vice leal como ele”, completou.
A possibilidade de troca na cadeira ganhou força após um grupo do PT articular uma aliança com o MDB na chapa que será levada às urnas em outubro. Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas a cúpula emedebista resiste a um arranjo eleitoral, com a maioria dos diretórios sendo contra um alinhamento.
Segundo o senador Renan Calheiros, a proposta teria sido levada pelo próprio Lula no dia 17 de dezembro, na Granja do Torto, em Brasília. “Eu acho que o Lula não tem por que tirar. E se tirar, vai arrumar um problema para ele. Porque em política não tem vácuo, não tem cadeira vazia. Todo espaço vazio tem briga”, disse Donizette.
No dia 10, João Campos, prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, se encontrou com Lula para reafirmar a intenção do partido de manter Alckmin como vice do petista na disputa deste ano. Campos disse ter saído da conversa “animado” e “seguro” quando à parceria eleitoral entre os PT e PSB.
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