Médicos são indiciados por queimadura em paciente durante parto
Jovem de 18 anos sofreu queimaduras graves e segue em recuperação
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Dois médicos obstetras foram indiciados por lesão corporal culposa pela Polícia Civil devido a lesões causadas por queimaduras sofridas por uma jovem de 18 anos durante uma cesariana no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina, Noroeste do Estado. O inquérito foi finalizado nesta quarta-feira (22) e encaminhado à Justiça.
RELEMBRE: Mulher sofre queimaduras de 3º grau durante o parto em Colatina
Segundo a Polícia Civil, o inquérito policial foi instaurado para apurar as graves lesões sofridas por uma jovem de 18 anos, em 23 de maio de 2025, durante a realização de um procedimento de cesariana no hospital.
De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de Colatina, delegado Hédson Félix, a vítima deu entrada na unidade hospitalar por volta das 8 horas, em trabalho de parto, sendo acompanhada por seu companheiro. "O procedimento cirúrgico teve início por volta das 12 horas, momento em que, durante a intervenção, foi registrado um foco de incêndio na paciente, ocasionando queimaduras graves", disse.
Ainda segundo as informações colhidas, após o controle das chamas, o procedimento teve continuidade e o recém-nascido não sofreu lesões. "Em razão da gravidade do quadro, a vítima foi transferida, no dia 25 de maio de 2025, para um hospital especializado no município da Serra, referência no tratamento de queimados, onde permaneceu internada por 26 dias. Durante esse período, ela também ficou afastada do filho, sem a possibilidade de amamentação", explicou o delegado.
As investigações foram concluídas e apontaram a responsabilidade de dois profissionais médicos obstetras, de 41 e 51 anos. "Os investigados teriam agido com negligência, imprudência e imperícia, ao deixarem de observar protocolos técnicos essenciais, conduta que contribuiu diretamente para o resultado lesivo. A vítima segue em processo de recuperação e ainda necessita de procedimentos cirúrgicos reparadores em decorrência das lesões sofridas", contou o delegado Hédson Félix.
Os médicos foram indiciados no Artigo 129, § 2º c/c 6º do Código Penal Brasileiro. Segundo a assessoria da Polícia Civil, o indiciamento considerou que “o crime é praticado sem intenção, mas ocorre devido a negligência, imprudência e imperícia”.
Sindicância
Procurado pela reportagem, o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) informou que foi instaurada sindicância para apurar os fatos relacionados ao caso de paciente submetida a procedimento cirúrgico em maio de 2025, no hospital.
“O processo tramita sob sigilo, conforme determina a legislação vigente, assegurando a devida apuração dos fatos e garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório dos profissionais envolvidos”, informou o CRM.
Segundo o conselho, após a conclusão da sindicância, poderão ser adotadas medidas administrativas cabíveis, que vão desde o arquivamento da denúncia até instauração de Processo Ético-Profissional (PEP), aplicando, ao final deste último, sanções disciplinares previstas na Lei nº 3.268/1957, como advertência ou censura confidencial, censura pública, suspensão do exercício profissional por até 30 dias ou cassação do direito à Medicina, em gradação progressiva.
“Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça”, afirmou o CRM.
Hospital
O Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina informou que não recebeu qualquer comunicação formal acerca de eventual indiciamento de médicos integrantes de seu corpo clínico.
“Esclarece, ainda, que se trata de evento fortuito ocorrido em 23/05/2025, no curso de procedimento de parto cesáreo”, informou a administração do hospital, por nota.
O hospital afirmou que desde o ocorrido, a instituição prestou integral assistência necessária, tendo instaurado procedimento interno para apuração dos fatos, bem como cooperado de forma transparente com as autoridades competentes, inclusive com a autoridade policial e o Conselho Regional de Medicina.
“O Hospital se abstém de tecer considerações adicionais neste momento em respeito às partes envolvidas, uma vez que ainda não há demanda judicial formalizada”, informou a nota.
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