Criança é encontrada em casa com animais em situação de maus-tratos em Guarapari
Equipes localizaram armas, prenderam uma mulher e acolheram uma criança em imóvel com insalubridade extrema no bairro Santa Rosa
Uma operação conjunta resgatou animais e acolheu uma criança em situação de vulnerabilidade em Guarapari, após constatar maus-tratos e condições extremas de insalubridade em um imóvel no bairro Santa Rosa. As equipes também apreenderam armas e prenderam em flagrante a responsável pelo local.
No endereço, agentes Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-Tratos aos Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) encontraram cães, gatos e aves em condições consideradas extremamente precárias.
Criança acolhida e mulher é presa em flagrante
No imóvel, as equipes localizaram uma criança de 8 anos vivendo em ambiente insalubre, cercada por animais doentes e sinais de abandono. O Conselho Tutelar realizou o acolhimento imediato e passou a acompanhar o caso com as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).
Uma mulher de 30 anos, apontada como responsável pelo imóvel, foi presa em flagrante pela Polícia Civil. Também foram encontradas duas armas de fogo, nos calibres .38 e .32.
"O que encontramos foi uma cena de horror. Uma situação extremamente preocupante e degradante. Havia uma criança vivendo sozinha em meio a uma imundície, cercada por animais debilitados, alguns em estado de extrema magreza e outros apresentando sinais evidentes de doença. Também encontramos aves confinadas com fortes indícios de utilização em rinhas. É uma situação que nos chocou profundamente. Recebemos a denúncia e imediatamente mobilizamos uma força-tarefa. Estivemos no local juntamente com o delegado Rodrigo Peçanha, equipes da Comissão de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Guarapari, do Centro de Zoonoses e do Conselho Tutelar. A mulher responsável foi presa e agora o caso será acompanhado pela Polícia Civil, Ministério Público, Poder Judiciário e demais órgãos competentes. Nossa maior preocupação, neste momento, é garantir a proteção da criança e assegurar que todos os animais recebam atendimento adequado. É uma ocorrência muito triste e que exige uma atuação integrada do poder público."
Os animais foram removidos para avaliação clínica e receberão cuidados veterinários. A ocorrência seguirá acompanhada pelos órgãos de proteção à infância e pelo Ministério Público.
Aves com indícios de rinhas e doenças em animais
Segundo o médico-veterinário da CPI, João Victor Torres, a vistoria encontrou elementos que sugerem a possível utilização das aves em rinhas, como lesões e materiais específicos.
"Durante a vistoria encontramos diversas aves com características compatíveis com animais utilizados em rinhas. Alguns galos apresentavam lesões nas pernas e havia esporas artificiais e medicamentos normalmente empregados no tratamento dos animais após os combates. Todo esse material foi recolhido e será analisado durante a investigação. Também resgatamos vários cães e quatro gatos. Um dos felinos apresentava sinais compatíveis com esporotricose, doença que pode ser transmitida para outros animais e também para seres humanos, exigindo atendimento veterinário especializado e isolamento adequado."
De acordo com o agente da CPI, Juarez Lima, a atuação conjunta permitiu o flagrante e o resgate coordenado dos animais, enquanto o Conselho Tutelar iniciou, em paralelo, o atendimento à criança.
Investigação continua com foco em maus-tratos e insalubridade
O delegado de Guarapari, Rodrigo Peçanha, destacou a gravidade do cenário encontrado e o risco sanitário para pessoas e animais.
"Depois de muitos anos na Polícia Civil, nunca havia presenciado uma situação tão grave quanto esta. Encontramos uma residência completamente tomada pela sujeira, com forte odor, presença de insetos e condições absolutamente incompatíveis com a permanência de pessoas e animais.Havia diversos cães, gatos e aves espalhados pelo imóvel, muitos deles apresentando sinais de abandono e possíveis doenças. O fato mais preocupante foi encontrar uma criança de apenas oito anos vivendo naquele ambiente, completamente exposta a riscos físicos e sanitários. Foi uma cena extremamente impactante."
A Polícia Civil dará continuidade às investigações sobre possíveis crimes de maus-tratos, manutenção de aves para rinhas, infrações sanitárias e as circunstâncias em que a criança vivia. A CPI reforçou a importância de denúncias de violência contra animais aos órgãos competentes e da atuação integrada para a proteção de pessoas em vulnerabilidade e dos animais.
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