“Coração ficou na mão”, diz mãe de adolescente baleada na Guarderia
Vítima se preparava para aula quando sentiu dor no braço e achou que havia sido atingida por remo
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Ainda assustada, mas feliz com a recuperação da filha, uma adolescente de 12 anos que foi atingida por uma bala perdida no braço direito, na Praia da Guarderia, em Vitória, a mãe da jovem, uma arquiteta de 35 anos, está preocupada com a insegurança na região onde a filha faz aula.
Ela, que conversou com exclusividade com a reportagem de A Tribuna na tarde de ontem, relatou como foram os momentos em que soube que a filha foi atingida pelo disparo. “É um misto de sentimentos, a gente fica aterrorizado”, disse a arquiteta, que pediu para não ser identificada.
A Tribuna - Como aconteceu tudo?
Mãe - Na hora, eu havia deixado minha filha na aula de canoa que ela faz ali na Praia da Guarderia. Ela estava na areia da praia, fazendo aquecimento junto com outras crianças já para entrar na canoa. Deixei ela lá e fui correr. Quando eu subi para o calçadão, a professora dela já veio me gritando, dizendo que ela tinha machucado o braço.
O que você fez?
Na hora a gente não entendeu o que havia acontecido. Uma médica que passava pelo local nos ajudou e fez os primeiros socorros. Ela pediu pra gente correr com ela (filha) para o pronto-socorro e procurar um ortopedista, só que na hora a gente nem imaginava que tinha sido tiro. Levei ela no pronto-socorro.
Vocês não sabiam que ela havia sido baleada?
Achamos que ela só tinha fraturado o braço. Quando fizemos o raio x, descobrimos que tinha uma bala alojada no braço dela. Levamos um susto. Nem passou pela cabeça que poderia ser tiro. Ninguém ouviu barulho do tiro. Fica um apelo para a área de segurança.
Como ficou o coração de mãe naquele momento?
O coração fica na mão. É um misto de sentimentos, a gente fica aterrorizado, mas ao mesmo tempo dá graças a Deus, porque poderia ser muito pior. Ela está ótima, rindo e falando. Já retirou a bala.
Menina baleada ao praticar canoagem na Guarderia
A família de uma adolescente de 12 anos passou por momentos de tensão na manhã de ontem. A menina, que completa 13 anos hoje, se preparava para mais um aula de canoagem na Praia da Guarderia, Praia do Canto, em Vitória, quando foi atingida por uma bala perdida.
A vítima estava na companhia do irmão mais novo e de mais 10 crianças que faziam aula quando sentiu uma forte pressão no braço direito. “Era bem cedo, por volta de 9h, quando eu vi ela gritando, reclamando de dor no braço. Tinha um machucado no braço, era o ferimento da cápsula”, contou uma testemunha de 20 anos, que presenciou o socorro da menina.
Ao perceber que estava ferida, mas ainda sem saber que o ferimento havia sido provocado por um tiro, a menina chamou a professora e pediu socorro. A mãe da jovem, uma arquiteta de 35 anos que tinha acabado de deixar a adolescente na aula, foi surpreendida pelos gritos da professora.
“Deixei ela lá e fui correr, aí quando eu subi para o calçadão, a professora já veio me gritando, dizendo que ela tinha machucado o braço. Na hora a gente não entendeu o que havia acontecido. Uma médica que passava pelo local fez os primeiros socorros e nós a levamos para o hospital”, conta a mãe.
Um boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Militar. No local do fato, testemunhas relataram que não ouviram qualquer tipo de barulho. A suspeita é de que o disparo tenha vindo do alto e de uma região próxima da Praia da Guarderia. Versão essa que é investigada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória, que não descarta qualquer possibilidade.
A reportagem de A Tribuna esteve no local do fato na tarde de ontem e conversou com algumas testemunhas. Elas alegaram que presenciaram o momento do disparo e afirmaram que havia sido feito da região da Ilha Frade, mais uma possibilidade que é investigada pela polícia.
A menina passou por uma cirurgia, ainda na tarde de ontem, e retirou o projétil de 9 mm, que em seguida foi entregue à Polícia Civil.
Investigadores acreditam que o disparo tenha percorrido cerca de 2 quilômetro e não descartam que possa ter sido de cima de um prédio, um ponto alto das ilhas próximas ou até mesmo do Morro da Garrafa, mas ontem não houve acionamento para essas regiões.
Mais de 10 crianças faziam aula no local, diz testemunha
Além da adolescente de 12 anos, que foi vítima de bala perdida na Praia da Guarderia, na Praia do Canto, em Vitória, outras 10 crianças se preparavam para fazer aula de canoagem na região.
A informação é de testemunhas que presenciaram toda a situação, incluindo a mãe da vítima, uma arquiteta de 35 anos.
“Na hora, tinha umas 10 crianças brincando ali. Ninguém ouviu barulho de tiro”, contou a mãe da adolescente, que preferiu não se identificar.
Um dos funcionários de uma das escolas de canoagem também falou sobre a quantidade de crianças que estavam no local. “Tinha muita gente e todos ficaram desesperados”, disse o jovem de 20 anos, que pediu para não ser identificado.
O sócio e treinador da escola de canoagem, Carlos Aires, informou que está na região há 14 anos e nunca viu um caso parecido.
“As aulas kids acontecem às terças e quintas-feiras, às 7h50, há cerca de um ano. Atualmente, temos 12 crianças na turma. Eu nunca vi um caso parecido, nem mesmo confusão na praia. Há relatos de furtos, mas isso durante a madrugada”.
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